Reduzir o espaço da moradia ao longo da vida pode resultar em mais resiliência na velhice?

Desapegar de objetos nem sempre é fácil, principalmente quando há espaço disponível para guarda-los. O ciclo de vida de uma família geralmente envolve ampliar o número de componentes com a chegada dos filhos e, com eles, necessitar de espaços para acomodar suas necessidades. Portanto, se um pequeno apartamento abriga um casal com conforto, a chegada das crianças pode exigir mudanças. Filhos criados e formando novos núcleos familiares, o espaço antes adequado torna-se ocioso, mesmo com justificativas que mantenham móveis e objetos para outras necessidades que acabam não existindo. 

Quando uma pessoa idosa necessita de cuidados mais intensivos, a mudança para uma moradia institucional pode ser a melhor opção. De uma hora para a outra, sai de uma residência com ambientes diversos e onde pode decidir como guardar seus pertences para passar para um espaço privado mais restrito, apesar de contar com áreas maiores, compartilhadas com seus pares. É preciso ter menos roupas e calçados, assim como lembranças precisam ser acomodadas em poucos móveis e paredes. Em muitos casos, a moradia original vai sendo desmontada aos poucos, como forma de impactar menos ao despedir-se do seu passado de modo gradual. 

O escritor e designer Graham Hill traz reflexões interessantes em palestra de TedX sobre as vantagens de morar em espaços menores (https://www.ted.com/talks/graham_hill_less_stuff_more_happiness): 

Ter menos coisas, em menos espaço, pode levar a mais felicidade? Ele defende a ocupação de menos espaço e estabelece três regras para editar sua vida.

As três regras começam com o corte de excessos, sem piedade, segundo ele. Livrar-se do que não é necessário e, mais ainda, não adquirir objetos desnecessários, é um jeito inteligente de morar. Diminuir espaço permite mais eficiência, aumenta o tempo livre e oferece mais liberdade ao morador. Por último, viver em espaços e com equipamentos multifuncionais, racionalizando o uso e tornando a moradia prática para as atividades diárias. Nesse sentido, é imprescindível conhecer e experimentar os recursos tecnológicos disponíveis no mercado para adicioná-los às mudanças nos arranjos familiares, especialmente no avanço da idade.

Reduzir o espaço da moradia ao longo da vida pode resultar em mais resiliência na velhice, em especial se houver efetivo desapego de objetos desnecessários. Envelhecer onde haja familiaridade, Aging in Place, significa manter-se próximo da comunidade, mas não necessariamente no mesmo imóvel. Os brasileiros, principalmente os de gerações mais antigas, são ainda muito apegados ao seu patrimônio imobiliário, já que representava importante conquista há anos atrás. A possibilidade de mudar com mais frequência e de acordo com as circunstâncias pessoais e profissionais já é um comportamento mais recente, permitindo mais tempo e mais liberdade para dar espaço às coisas boas da vida, sem ser prisioneiro na própria casa.

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