O que caracteriza uma comunidade inclusiva em qualquer condição de funcionalidade e capacidade cognitiva?

Um dos aspectos mais significativos quanto ao reconhecimento de que uma comunidade seja inclusiva é a facilitação do acesso para que haja efetiva interação social. Nisso são considerados tanto um ambiente físico favorável a pessoas em qualquer condição de funcionalidade e capacidade cognitiva quanto as convivências possíveis, visto que as histórias de vida determinam velhices heterogêneas em termos de desejos e necessidades.

A organização canadense Participação Social e Cidades Inclusivas – PSVI – propõe-se a desenvolver projetos que reduzem ou eliminam as barreiras ambientais, sociais e físicas à participação social das pessoas com deficiência na cidade (https://villesinclusives.org).

Uma “cidade inclusiva” é uma cidade que permite a todos os seus cidadãos acesso irrestrito aos seus espaços, infraestruturas e serviços. A oferta de serviços e infraestrutura de uma cidade inclusiva atende a diversidade de necessidades de sua população. Consequentemente, tende a reduzir a exclusão social das pessoas com deficiência, bem como a promover sua plena participação e o exercício de seus direitos humanos.

A limitação funcional de pessoas com deficiência física ou intelectual pode reduzir as possibilidades de encontros produtivos, incluindo os intergeracionais, o que resulta em falta de protagonismo e estímulo a atividades sedentárias, agravando quadros de isolamento. Do mesmo modo, pessoas idosas que estejam em condições semelhantes em função de declínios funcionais ou cognitivos tendem a ficar reféns dos limites da moradia, caso não haja soluções criativas para ampliar seus territórios de ação. 

O Village Langley, inaugurado em agosto de 2019 e localizado na província canadense de Colúmbia Britânica, é uma propriedade equipada de acordo com as necessidades dos moradores, todos com doença de Alzheimer ou demência. É inspirado no vilarejo de Hogeweyk, localizado próximo a Amsterdã, na Holanda (https://ici.radio-canada.ca/nouvelle/1281868/alzheimer-village-langley-hebergement-demence-gerontologie). 

Construída em 2 hectares altamente cercados, a primeira vila projetada para pessoas com Alzheimer no Canadá acomoda 75 pacientes em chalés em tons pastel. Longe do centro hospitalar higienizado, este complexo desenhado no estilo de uma aldeia autônoma promove a interação social e a vida ativa. Oferece uma mercearia, um cabeleireiro e um café em torno de uma artéria principal com vegetação.

O fundador do projeto Elroy Jespersen inspirou-se nos modelos europeus que respeitam meios de integração social e humana entre pessoas com demência, definindo uma comunidade efetivamente inclusiva para seus moradores. Ao considerar a importância de garantir o protagonismo desses sujeitos, mesmo que num limite territorial controlado para garantir a segurança de todos, a convivência nessa comunidade garante que se sintam pertencentes e possam decidir sobre seus desejos pessoais tanto quanto possível.

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