Qual o valor do silêncio quando a residência oferece condições de conforto para o repouso?

Conforto ambiental envolve principalmente iluminação, ventilação e acústica, elementos essenciais para que o corpo e a alma encontrem boas condições para usufruir a saúde na moradia. A luz diurna, seja com sol ou não, deve ser muito aproveitada, assim como as trocas térmicas que o vento pode proporcionar, renovando o ar nos ambientes internos. Quanto à acústica, é importante considerar que música é muito diferente de ruído, que pode ser de sons de pássaros aos de máquinas barulhentas, ritmadas ou aleatórias, podendo reduzir a capacidade de concentração em atividades que exijam atenção ou o simples relaxamento. 

Se o excesso de ruídos causa desconforto, a ausência total de sons pode igualmente causar sensações incômodas. No artigo publicado por Guilherme Hummel, Psiu! A ciência do silêncio, a importância do silêncio e suas dimensões são abordadas sob diversos aspectos (https://www.saudebusiness.com/colunas/psiu-ciencia-do-silencio). 

Ninguém precisa chegar a esse nível de ‘ausência de som’ para encontrar paz, tranquilidade e um nível razoável de mindfulness (atenção plena). Mas que está cada vez mais difícil encontrar qualquer nível de silêncio em nosso século é inegável. “O caminho para todas as grandes coisas passa pelo silêncio”, escreveu Nietzsche. Pobre filósofo, vivesse no século XXI perceberia que o silêncio é uma ‘mercadoria’ em extinção. Paga-se bem para morar perto dele, embora já seja um ‘artigo de luxo’ nas grandes metrópoles. 

O trânsito, a proximidade entre vizinhos (muitas vezes barulhentos…), além da constante necessidade de manutenção em construções e nas ruas, são fontes de ruídos para os quais já há inciativas para que o impacto diminua quanto à saúde auditiva e mental dos cidadãos. Os veículos elétricos já são uma realidade em crescente ampliação, o que poderá reduzir o barulho no trânsito. Por outro lado, as janelas com vidro duplo, possibilitando o isolamento de ruídos em função da vedação na esquadria e do espaço entre as placas. O uso de materiais têxteis no interior da moradia também ameniza o rebatimento de ondas sonoras internas e externas, possibilitando algum controle quando o silêncio parcial é necessário. Porém, a interação entre conviventes de uma mesma residência depende de relações construtivas e animadas, possibilitando comunicação efetiva entre os pares.

Nas tribos arcaicas, a maior punição que poderia ser infligida a alguém era a expulsão, quando um membro era separado e condenado a não ter ninguém para ouvi-lo. É a ausência de um ouvinte que caracteriza definitivamente a solidão.

Fica evidente que idosos que moram com outras pessoas podem sentir-se sós se não houver escuta, caracterizando a solidão acompanhada. O valor do silêncio para o repouso traduz as condições de conforto da residência, mas as relações sociais não podem ser esquecidas e precisam ser estimuladas, principalmente com pessoas idosas. 

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