Em que medida as moradias destinadas a pessoas idosas oferecem condições para a manutenção de seus hábitos? 

Embora seja natural que sejam mantidos hábitos ao longo da vida, as inovações vão agregando interesses que se tornam importantes nas rotinas. Além disso, reconhecer-se no lugar onde mora igualmente torna-se importante para a tranquilidade de envelhecer bem. Novos hábitos ainda podem ser potencializados, seja na moradia original ou em soluções coletivas.

Norton Mello, CEO da Bioeng e responsável por projetos importantes de moradias assistidas para idosos, publicou questões interessantes e que permitem aprofundar em que medida essas reflexões impactam na longevidade (https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/longevidade/o-impacto-da-longevidade-nas-moradias/). 

Como as moradias deveriam se preparar para potencializar a longevidade independente tanto quanto possível? Essa questão é muito crítica, pois tem como barreira a nossa memória afetiva em relação ao estereótipo da pessoa idosa, com fragilidades diversas. Como deveríamos projetar nossas moradias? Com base na pessoa idosa de hoje ou para as nossas próprias expectativas e necessidades do que imaginamos que será o nosso envelhecimento?

O afastamento dos espaços de vida significativos pode impactar em muito a qualidade de vida e, portanto, envelhecer no local onde haja familiaridade representa a continuidade de rotinas e relacionamentos sociais.  

Estudos apontam que a preferência das pessoas idosas é por residenciais dentro de um raio máximo de 50 quilômetros de onde residem. Esse fator demonstra a afetividade ao local onde se encontram. 

Norton pontua que o uso da tecnologia de jogos eletrônicos e com base na internet das coisas (IoT – internet of things), como suporte para o treino cognitivo, é outro aspecto que precisa ser repensado. Ainda se percebe certa resistência nas propostas de moradias institucionais, em especial considerando que os jogos tradicionais são válidos, sim, mas outras opções podem ser atraentes para alguns, em especial as gerações que estarão ocupando essas vagas em um futuro próximo.

Temos estudos que demonstram um aumento no hipocampo cerebral de pessoas idosas que jogam videogame. (…) Pensar em pessoas jogando damas, xadrez, cartas ou bingo é o padrão comportamental da nossa memória estereotipada. Imaginar uma sala de jogos com videogames que permitam ampliar o volume cerebral de uma das zonas mais associadas às demências e com isso tentar reduzir ou até mesmo impedir o desenvolvimento dessas doenças, isso sim é disruptivo ao ponto de impactar na qualidade dos anos de vida ganhos com a longevidade.

É importante que sejam buscadas soluções que efetivamente atendam os desejos e necessidades dos novos idosos, a cada dia mais longevos, que já não veem a aposentadoria como final de vida produtiva. As inúmeras possibilidades para preenchimento do tempo livre estão disponíveis, basta que sejam adotadas para tornar a longevidade mais significativa.

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