De que modo a solidão na velhice pode ser prevenida sem que os familiares deixem suas rotinas? 

Em mensagem no Dia dos Avós de 2021, o Papa Francisco demonstrou percepções relativas a ele próprio, pois com 85 anos de idade, afirma que não é fácil compreender a velhice, a partir do comportamento de alguns idosos que se mostram resignados com a fragilidade e desalentados com perspectivas futuras. Sugere a importância dos relacionamentos, sejam familiares ou outros para os quais a atenção é um ato de amor e desprendimento (https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-05/papa-francisco-mensagem-dia-mundial-avos-idosos-velhice-ternura.html).

“Tudo isto ajudará a não nos sentirmos meros espectadores no teatro do mundo, não nos limitarmos a olhar da sacada, a ficar à janela.”

De fato, as interações sociais são fundamentais para que haja segurança e pertencimento de pessoas idosas, sejam as que moram sozinhas ou em residenciais especializados. Compreender a velhice e o declínio funcional decorrente desse processo amedronta, em especial quando há uma perspectiva de perda cognitiva ou de mobilidade, sendo pouco provável a adoção de soluções alternativas quando a situação já estiver agravada.

Uma iniciativa inovadora foi adotada como política pública no Estado de Nova Iorque, que está distribuindo mais de 800 robôs como companheiros para idosos, em uma tentativa de lidar com a “epidemia de solidão” do Ocidente (https://www.theverge.com/2022/5/25/23140936/ny-state-distribute-home-robot-companions-nysofa-elliq). 

Os robôs não são capazes de ajudar com tarefas físicas, mas funcionam como versões mais proativas de assistentes digitais como Siri ou Alexa – envolvendo usuários em conversas, ajudando a contatar entes queridos e acompanhando metas de saúde, como exercícios e medicamentos.

O programa está sendo organizado pelo New York State Office for the Aging (NYSOFA), a partir de estudos que sugerem o prejuízo à saúde pela solidão a longo prazo, visto o crescente problema do isolamento social entre os idosos. 

O diretor da NYSOFA, Greg Olsen, diz que os robôs – chamados ElliQ e construídos pela empresa israelense Intuition Robotics – podem ajudar a enfrentar esse crescente problema de saúde, incentivando a independência entre os idosos que vivem sozinhos e proporcionando companhia. (…) A unidade foi deliberadamente projetada para parecer mais robótica do que humanóide, a fim de focar melhor a atenção em suas habilidades de conversação.

A experiência americana pode trazer resultados importantes para soluções futuras. Se por um lado o uso de máquinas pode prover o mercado com pouca mão de obra qualificada, há um limite ético relativo aos dados armazenados. Também pode parecer uma solução que desvaloriza ainda mais os idosos, diminuindo os contatos pessoais diretos, sempre imprescindíveis para o bem-estar. Mas é preciso considerar as soluções que funcionem como coadjuvantes do cuidado, de modo a potencializar os momentos entre familiares e amigos, mantendo o necessário senso de pertencimento.

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