Quais iniciativas do mercado imobiliário podem suprir a necessária oferta de alternativas de moradia na velhice?

As moradias institucionais nem sempre são indicadas para pessoas idosas que desejam manter a autonomia, assim como manter-se em imóveis que antes abrigavam famílias pode ser dispendioso e sem o conforto e a segurança desejada. O aumento da população idosa pelo aumento da longevidade já indica a urgência de soluções alternativas e adequadas aos desejos e necessidades dos moradores mais velhos.

A reportagem de Bianca Zanatta (Estadão, 12/06/2022) indica que já há mudanças no mercado imobiliário. A busca de soluções que permitam manter a autonomia é um dos grandes valores que atrai o interesse de pessoas mais velhas, mas também é evidente que evitar a solidão é outro fator importante para a tomada de decisão quanto à mudança de moradia.

Em 2017, um levantamento da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia seccional São Paulo (SBGG/SP) feito em parceria com a Bayer, mostrou que a maior preocupação do idoso é acabar sozinho. 

Nesse sentido, não cabe mais optar somente por permanecer na residência original, que muitas vezes já não atende às necessidades dos novos idosos. As propostas de coabitação podem ser uma boa saída para equacionar soluções econômicas e que evitam a solidão, mas reunir um grupo que efetivamente possa conviver sob o mesmo teto é um risco que muitos preferem não correr.

Segundo Milton Fontoura, CEO do Grupo de Estudos Urbanos (GEU), em 2030 o Brasil já terá mais velhos do que jovens e a quinta população mais idosa do mundo. Ele fala que essa realidade acarreta o desenvolvimento de novos produtos e soluções com foco na experiência, incluindo formas de moradia pensadas para integrar serviços. 

Esse modelo de negócio já tem sido implantado pelo Brasil: o Bioos, recém lançado em Curitiba, já propõe a integração de serviços de saúde em área próxima à residencial. O Gran Life está sendo proposto para Anápolis, em Goiás, aproximando estruturas hospitalares da moradia, atendendo àqueles que se sentem mais seguros com esse suporte. Já a Plano Urbano propõe “um condomínio exclusivo para idosos no bairro planejado Reserva do Vale, a 30 quilômetros de Brasília (DF)”. 

O projeto voltado à terceira idade terá 50 mil metros quadrados e 250 lofts de alto padrão, com uma ou duas suítes, exclusivamente para locação. (…) Além de oferecer monitoramento 24 horas de todos os sinais vitais dos moradores, o condomínio vai contar com enfermaria, nutricionista e sessões de fisioterapia. 

Apesar de as soluções ainda apontarem para um mercado de alto padrão, políticas públicas de habitação já têm sido discutidas e experimentadas para atender a demanda de pessoas idosas em vulnerabilidade econômica e social. A Vila dos Idosos e o Vila Dignidade, atualmente chamada de Programa Vida Longa, em São Paulo, e o Cidade Madura, na Paraíba, já oferecem uma perspectiva positiva para atender essa população. Resta buscar soluções que atendam a classe média, ainda com poucas alternativas para morar na velhice.

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