Em que medida a convivência entre um idoso longevo e seu cuidador pode manter-se positiva?

Entre os modos de morar que são mais comuns para idosos que já necessitam de algum cuidado, há a corresidência de um familiar, que assume o papel de cuidador. Já como primeiro impacto está a definição dos territórios privativos de cada um, nem sempre com as melhores condições em função da configuração e área do imóvel. Além disso, há as rotinas que cada um vivia antes da convivência diária, que se alteram por diversos motivos particulares a cada indivíduo. No documentário 100 dias com a Tata (Espanha, 2021), vemos o registro que demonstra a convivência amorosa do ator Miguel Ángel com a tia bisavó, com as alegrias e frustrações dessa dedicada relação (https://www.filmaffinity.com/es/film577324.html).

Os pais do ator Miguel Ángel Muñoz tiveram que recorrer a “Tata” (Luisa Cantero) para cuidar do filho enquanto trabalhavam. Desde então, Tata (97) e Miguel Ángel (38) nunca se separaram. Mas depois de várias complicações de saúde para Tata, Miguel Ángel percebe que sua história de amor pode acabar e decide realizar todas as coisas que tem para fazer com ela: uma viagem, aprender sobre as origens de Luisa e até filmar um filme juntos. Uma aventura que é interrompida pela chegada da pandemia. Uma volta que, longe de entristecê-los, os aproximará e se divertirá mais do que nunca durante 100 dias juntos em um apartamento de 35m2.

O espaço reduzido da moradia, assim como todos os objetos inseridos nela, demonstram o quanto é importante estar preparado para novas necessidades ao longo da vida. O compartilhamento exige que o cuidador se adapte, mas o confinamento exigido pela pandemia pela Covid-19 trouxe um desafio ainda maior para ambos, visto que a atividade física ficou restrita e o preenchimento do tempo livre exigiu muita criatividade, muito bem aproveitada pelos dois protagonistas (https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/o-que-100-dias-com-tata-nos-ensina-sobre-cuidados-de-idosos/).

O canal @soylatatareal faz mais e mais sucesso, conquista cada dia mais seguidores, rompe fronteiras e Tata passa a se corresponder com gente do mundo inteiro. Esse fato nos ensina o quanto a tecnologia e o envelhecimento podem e devem andar juntos. Com ajuda, os idosos são capazes de aprender a utilizar os recursos e muitas vezes fazer deles um complemento de renda, além de se beneficiar com ganhos cognitivos, como no caso da Tata, que acaba se tornando uma influenciadora digital com milhares e milhares de seguidores.

A saúde física, mental e financeira de Miguel Ángel foi comprometida pelos esforços empreendidos e o desgaste exigiu que buscasse um apoio psicológico, que o fez perceber que o medo da morte da sua Tata tão querida o estava submetendo a um sofrimento que podia ser minimizado pela contratação de cuidadores profissionais. Mas o mais importante para quem assiste o documentário é a lição de que é preciso encarar o cuidado com muita dedicação, mas sem ultrapassar limites desgastantes, especialmente quando o ambiente físico é restrito e exige adaptações.

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