O que é conforto?

Quando queremos móveis confortáveis, procuramos dimensões e resistências adequadas ao nosso corpo, reduzindo esforços e aumentando o prazer em utilizá-los. Essa afirmação é correta mas incompleta: outros elementos compõem um ambiente dito confortável, sendo também relacionados a emoções que vão além do prazer físico. Sentar em sofás macios mas firmes, deitar e levantar de camas em alturas que demandem menor esforço e evitem riscos de queda, comer em mesas sentados em cadeiras com altura e formato que favoreçam a aproximação e a permanência… Enfim, movimentar-se em espaços equipados para utilizá-los sem tropeços ou sobressaltos.

Ergonomia é a ciência que estabelece dimensões adequadas para equipamentos utilizados por comando humano, de modo que haja a maior produtividade com o menor esforço possível. Passou a ter importância quando foi necessária a adaptação de equipamentos de guerra ao uso por soldados a pé, permitindo um manejo com menor desgaste e melhores resultados. A partir daí, os estudos foram expandidos para outros segmentos produtivos, chegando à antropometria, um modo de estabelecer médias de tamanhos em grupos com características semelhantes. Mulheres, crianças e pessoas com deficiência passaram a ser usuários específicos, e idosos começaram a ser medidos apenas quando esse segmento passou a ser significativo.

Mas há mais do que dimensões e esforços para serem considerados quando falamos em conforto. Costumo comentar em minhas aulas que o lugar mais confortável do mundo está num abraço, uma forma de ilustrar o que todos nós podemos sentir quando reencontramos uma pessoa querida ou quando estamos em processo de luto. Poder apreciar um bela paisagem ou, mesmo, acompanhar o movimento do bairro através de aberturas generosas com a garantia de segurança oferecida pelo lar, também é confortável.

Muitas instituições para idosos que hoje encontramos oferecem espaços exíguos e pouco contato com o mundo exterior, especialmente quando circundados por muros altos. Mesmo com a justificativa da segurança e preservação da privacidade, olhar o mundo através da TV acaba sendo uma alternativa viciante e pouco motivadora para relacionamentos sociais mais ativos. Além disso, pode ser fator de isolamento entre muitas pessoas que não se comunicam, criando momentos de desconforto quando as reuniões para refeições, por exemplo, obrigam a convivências desagradáveis.

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