O que pode ser feito com uma casa que se tornou grande demais?

Existe uma história recorrente na utilização de casas ou apartamentos por famílias que se transformam ao longo do tempo. Geralmente o uso original é por uma casal que, com a chegada dos filhos, acomoda-se em habitações que permitam a ocupação setorizada, com áreas privativas e coletivas para recolhimento ou reuniões sociais. O crescimento e a independência desses filhos os afasta para outros lugares, tornando o espaço de dormitórios e banheiros pouco úteis na maior parte do tempo. A solução lógica seria mudar também para outro imóvel menor, dispondo dos espaços necessários para a nova situação. Mas há objetos e equipamentos que se tornam importantes, considerando os valores que representam na história dessa família. Por que não pensar em tornar a casa novamente ocupada por mais pessoas, agora em condição de compartilhamento? O que chamamos de co-housing nada mais é do que o aproveitamento de espaços construídos por mais pessoas, sendo preferível que os interesses sejam semelhantes para que a convivência seja possível.

Não sugiro a ocupação de um imóvel tradicional com uma república, tal como fazem os estudantes que cotizam despesas para reduzir custos. Pequenas reformas podem tornar um imóvel grande para uma ou duas pessoas em um espaço rentável pelo aluguel a outras que ocupem unidades privativas e compartilhem as coletivas, aumentando a eficiência no consumo de energia e na manutenção de jardins, piscinas ou mesmo custos de condomínio.

Tal solução exige adaptações no estilo de vida: lugares marcados pelo apego a lembranças passam a ser ocupados por outras pessoas, é preciso não sofrer com essa mudança. Vale aqui a indicação de um filme francês muito interessante, intitulado “E se vivêssemos todos juntos?”, onde cinco amigos decidem morar na casa grande e pouco ocupada de um dos casais. O outro casal está passando por acontecimentos devidos ao declínio cognitivo do marido com Doença de Alzheimer e o amigo, solteiro, é pressionado pelo filho a institucionalizar-se, por segurança e certeza de assistência quando sofre um mal-estar cardíaco. Mas a convivência envolve problemas do passado e comportamentos inadequados, embora no final o apoio mútuo se destaque quando morre a esposa do amigo doente.

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