Você usa seus móveis ou eles usam você?

Ambientes em geral são compostos com diferentes volumes que preenchem espaços. Mesmo em praças e jardins, elementos construídos compõem-se com outros naturais, formando conjuntos, definindo caminhos e permitindo a funcionalidade. Em nossas casas também funciona assim, mas geralmente consideramos que residir em um lugar durante 30 anos garante que os objetos originais sejam mantidos ou, até mesmo, acrescentemos outros, na sua maioria equipamentos novos que a tecnologia vai disponibilizando no mercado.

Vejamos o que aconteceu com os aparelhos de televisão: antes acoplados a móveis, passaram a ser sobrepostos, mas exigiam uma profundidade razoável em função do tubo de imagem que se projetava até 50 cm para trás. E as telas aumentaram, e o peso desses equipamentos igualmente, condenando balcões a servirem como suporte. O aperfeiçoamento permitiu um novo modo de formação de imagem e, num piscar de olhos, esses monstros tornaram-se maiores em largura e altura, mas com pouca profundidade e peso, o que passou a sugerir que fossem presos a paredes, liberando espaços embaixo. Já não era sem tempo: nossas casas estão cada vez menores!

Assim como vimos com a TV, podemos repensar nossos móveis: grandes mesas de jantar já não têm a mesma utilidade de antes, armários com portas largas e grandes profundidades exigem mais tempo para movimentar as peças que guardam e jogos de sofás acomodam cinco pessoas com espaço ou sete bem juntinhas. Mas em todas essas situações cabe uma reflexão que geralmente passa despercebida, porque o tempo voou, a tecnologia evoluiu e continuamos com os mesmo móveis de antes.

Não nos desfazemos de equipamentos úteis a não ser que realmente não sejam mais tão úteis assim, e acabamos por nos adequar à casa quando ela deveria estar adequada a nós. Mais do que isso, perdemos a flexibilidade que tínhamos na juventude e o esforço em desviar de móveis grandes, para abrir gavetas pesadas e alcançar panelas no fundo de um armário sob a pia da cozinha já prova que alguma coisa deveria ser feita para não agravar ainda mais esses desconfortos. Morar com conforto e segurança significa pensar em funcionalidade, pois adotar utilidades da casa como lembranças nem sempre trará experiências positivas: é preferível deixar as lembranças na memória, lá elas não deterioram e nem atrapalham.

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