O que muda no projeto arquitetônico de antigos asilos para residenciais contemporâneos?

Os asilos surgiram a partir de instituições religiosas dedicadas ao cuidado de pessoas idosas, especialmente sem suporte social. Havia conventos junto a esses edifícios, cuja tipologia hospitalar apresentava grandes dormitórios coletivos para o cuidado de pessoas cuja longevidade podia levar aos 60 ou 70 anos, mas já com decréscimos de capacidade física, mental e, até, de envolvimento social. O asilo de fato isolava indivíduos considerados não produtivos e que viviam esperando a morte, sendo que era possível encontrar instituições com nomes tais como “lar dos velhinhos” ou “casa de repouso”, referência ainda sendo usada até hoje.

Com o avanço das discussões sobre Direitos Humanos, da tecnologia assistiva e da humanização da saúde, a crescente população idosa passou a contar com melhor assistência às suas necessidades. Aí consideramos a existência de leis e normas que passaram a garantir melhor qualidade de vida tanto na relação familiar quanto nas alternativas para moradia, embora ainda haja muitos resquícios dos asilos tradicionais. Mesmo passando a chamar-se Instituições de Longa Permanência para Idosos e com regras para acomodações salubres e confortáveis, ainda vemos propostas que oferecem serviços ditos inovadores mas que, no fundo, mantêm a ideia de dependência e de controle limitador sob a aura do cuidado.

Como já foi comentado anteriormente, é preciso haver regras para que a convivência de pessoas provenientes de diferentes culturas seja possível, tais como horários de alimentação, manutenção das áreas e rotinas de higiene. Porém, geralmente encontramos espaços que mantêm o aspecto asséptico dos hospitais, com pouca expressão de memórias positivas, até mesmo nos dormitórios. Também não há salas de visita, como se fossem secundárias, criando condições pouco favoráveis aos encontros possíveis e aos novos relacionamentos.

O que se espera de moradias coletivas para idosos é a manutenção dos ambientes antes particulares, mas que tornam-se compartilhados pelos pares. A dinâmica da antiga casa muda, certamente, mas poderá haver a opção de ler, conversar, exercer atividades manuais e culinárias, desde que haja espaços adequados e autonomia para tal. A ideia de existirem diferentes instituições de acordo com a condição de dependência é fundamental, e a mudança, quando necessária, pode acontecer com impactos mínimos, desde que o conceito seja mantido. Defendo que ainda carecemos de equipamentos que possam acompanhar a heterogeneidade do envelhecimento humano, pois desse modo estaríamos mais tranquilos e seguros de aproveitarmos ao máximo nossas capacidades, até o fim.

3 comments on “O que muda no projeto arquitetônico de antigos asilos para residenciais contemporâneos?

  1. Sou terapeuta holistica e acupunturista. No momento vivo na Italia ja ha 5 anos.
    Tenho um projeto que me acompanha ha mais de 15 anos e so estamos esperando conseguir fundos para executa-lo, e a cada dia se aprimora com novas ideias corporativas.
    A visao do envelhecimento com dignidade e alegria, vivendo em um lugar amplo, casas, espaco individual ou em casal, onde possam alem de morar e ter independencia, ter tambem lazer e vida propria, desenvolvendo seu dom e seus conhecimentos sendo compartilhados.
    Pensei numa grande chacara, com chales, em meio ao verde, espacos de SPA, terapias ocupacionais e alternativas de mantenimento da saude e bem estar, com toque, amor e cuidado, com direitos iguais, sem distincao de idade.
    Com espaco de parque infantil, onde unir a crianca com idosos e assim eles trocarem conhecimentos e alegrias e toques.
    Sei que um dia realizarei este projeto e e muito bom saber que posso contar com arquitetos com a mesma missao.
    Existe alguma possibilidade de obter ajuda financeira do gorverno para este fim?
    Abracos.

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    • Maria Doris, fico feliz que haja mais pessoas com foco no modo de morar mais digno e que estimule a autonomia, buscando melhores condições para a qualidade de vida. Certamente o bem-estar e a alegria são tônicos para uma velhice mais saudável. Penso que precisamos avançar muito em políticas públicas e parcerias para darmos visibilidade a essas idéias. Ajuda financeira de governos só tomam proporções adequadas se tiverem um respaldo significativo de outras instituições e, neste momento, o Brasil passa por um momento onde, esperamos, muitas transformações estão por acontecer. Esperamos que tenhamos mais esperança na correta aplicação de recursos e projetos com o seu podem, em breve, receber o apoio que merecem. Obrigada por sua participação, quando puder opine sobre outras reflexões que tenho publicado a cada semana desde novembro de 2015. Abraços…

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