A opção por assistir TV é devida à solidão ou ao sentimento de segurança em casa?

Como professora do curso de Gerontologia, participo do grupo de pesquisa que aplica o protocolo definido pelo Programa Global Cidade Amiga do Idoso, em São Paulo sendo definida por regiões e, nesse caso, os bairros da Mooca e do Brás. Em um dos grupos focais, com profissionais que atuam na Mooca, ouvi um comentário que despertou o interesse durante o compartilhamento de reflexões. Uma das participantes, que atua com Serviço Social geralmente com idosos, citou a tese de doutorado do seu marido, onde ele discorreu sobre a importância do “bom dia” e do “boa noite” dos apresentadores de jornais televisivos, especialmente para pessoas que não têm com quem conversar e esses momentos tornam-se marcantes para definir seus dias.

Há os cinéfilos que, pela dificuldade de deslocamento ou mesmo por preferirem mais conforto ao longo do filme, acabam por adotar o hábito de assistir filmes em casa, transformando seus ambientes de televisão em pequenos cinemas. Ou que buscam documentários sobre os mais diversos temas, desde biografias até fatos históricos, enriquecendo seus conhecimentos com dados complementares sobre os mais diversos assuntos. Finalmente, há as novelas, consideradas histórias da vida privada que, ao se apresentarem com artistas famosos ou carismáticos, passam a ser como visitantes rotineiros que deixam sempre um pouco de suspense para o dia seguinte.

Se pararmos para pensar sobre quanto tempo emprega-se para isso, até mesmo considerando que crianças ficam completamente hipnotizadas na exibição da fantasia quando filmes e animações retratam personagens cativantes, é preciso refletir se o encantamento se deve à solidão ou à motivação de estar seguro e abrigado, a partir da carga de informação e entretenimento que tanto prende a atenção. A qualidade das transmissões e da imagem certamente qualificam ainda mais as atrações, mas torna-se desestimulante para encontros sociais, passeios pela cidade e interesse por outros tipos de eventos, tais como teatro, shows musicais ou atividades ao ar livre. Ilude e tenta substituir a qualidade dos encontros, esses sim, importantes para a manutenção da vida social.

A conclusão do pesquisador sobre o cumprimento de recepção e despedida dos apresentadores de noticiários faz pensar que eles se tornam amigos virtuais de pessoas solitárias, pois o encontro diário cria um relacionamento marcante sobre horários e objetivos ao longo do dia. E isso se confirma quando vemos determinados momentos em que eles “improvisam” comentários descontraídos entre as notícias, tornando-os seres humanos ainda mais “reais”. Fora isso, é um relacionamento seguro, eles “visitam” sem interferir nas rotinas e sem opinar! É preciso tomar cuidado para não isolar-se e viver cercado de amigos “virtuais”, eles não abraçam e não estão disponíveis para ouvir.

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