Realmente sabemos qual o lugar do idoso no mundo contemporâneo?

O estudo sobre o envelhecimento vem ganhando mais adeptos e, naturalmente, provenientes das áreas profissionais mais diversas, tais como Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Serviço Social e Psicologia, entre outras. A busca pelo conforto e segurança necessários às fragilidades advindas da degradação orgânica trouxe outro importante aliado à Gerontologia: a construção de espaços adequados, privados ou públicos, tema principal da Arquitetura e sobre os quais se reflete o conceito de lugar.

Diz-se que é lugar onde haja algum significado, que cria um vínculo com o seu ocupante e representa um espaço importante. A importância será tão maior quanto mais estreito forem os laços que os unem, mesmo que efêmeros. Surgem e são estabelecidos pelo meio em que vivem, impregnados da cultura que caracteriza seu grupo social. O papel da integração é aqui visto como coadjuvante para a saúde: não há como dissociá-la de bem-estar e, sendo a Arquitetura uma das Ciências Sociais Aplicadas, enfatizam-se os papéis desses profissionais na análise do contexto que envolve o idoso.

A ambiência apresenta-se como um dispositivo que potencializa e facilita a capacidade de ação e reflexão das pessoas envolvidas nos processos de trabalho, possibilitando a produção de novas subjetividades, quando entendemos que a construção do espaço deva garantir a prática de ações a partir da integralidade e da inclusão, na perspectiva da equidade. A ambiência pressupõe o ambiente vivido, entendendo o espaço como cenário para as relações sociais, políticas e econômicas, e referindo-se a ele como o lugar onde interagem profissionais de diversas áreas. É uma situação construída coletivamente e inclui as diferentes culturas e valores, possibilitando a mudança do processo de trabalho, focando na coprodução do ambiente e chamando os sujeitos envolvidos nesse processo para a discussão do espaço. Desta forma aumenta-se o grau de autonomia dos sujeitos, tornando-os cada vez mais ativos, qualificadores e modificadores do espaço. A ambiência é usada como um dispositivo de transformação a partir do momento em que gera a problematização do processo de trabalho, do modelo de atenção e da gestão.

Urgem políticas públicas que ampliem os meios de atenção ao idoso e promovam efetivamente a saúde em estágio primário, quando a prevenção é o foco do atendimento. É preciso oferecer melhores condições de habitação, circulação livre e segura nas áreas públicas, transporte coletivo adequado e informações sobre direitos amplamente divulgados, garantindo dignidade a essa etapa da vida, sendo o conhecimento sobre a ambiência um dispositivo fundamental para alcançar resultados eficazes.

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