Estaremos menos preconceituosos na velhice para sermos flexíveis na escolha da moradia adequada?

Há um ano tenho escrito sobre moradia na velhice e escolhi publicar o blog Ser Modular por considerar que, para pensar neste tema, especialmente considerando o futuro na velhice, adotar soluções flexíveis é o caminho mais conveniente para boas decisões. Modular significa compor em módulos ou articular, o que determina variações tantas quantas possam atender diferentes finalidades. Portanto, ser modular (ser como sujeito ou verbo…) pode ser interpretado como flexibilizar escolhas, com mente e comunicação abertas para harmonizar todas as etapas da vida, atendendo desejos e necessidades.

Vale relembrar que já comentamos sobre o envolvimento da família nas decisões sobre as melhores acomodações para idosos que passam a depender de cuidado em função de fragilidades físicas ou perdas cognitivas. Morar na própria casa com cuidadores familiares ou profissionais, mantendo a familiaridade construída pelo tempo, pode ser preferível. Ou morar com familiares, considerando que a mudança vai determinar uma adaptação de rotina para todos, o idoso e os que o recebem, nem sempre em condições adequadas por falta de reorganização do espaço original. Seja qual a forma definida, lembrar sempre que manter a autonomia, delegando funções práticas, pode garantir que a inserção de mais um morador pode trazer uma nova perspectiva produtiva e harmônica.

E se a decisão estiver direcionada para a institucionalização, é importante conhecer o que os empreendimentos oferecem, quais as regras que permitem que o idoso mantenha seus vínculos e como eles se estabelecem. Muitas famílias desconsideram as ILPIs por sentirem culpa nessa decisão, mas também decidem por soluções que limitam a autonomia do idoso, seja contratando um cuidador despreparado ou mantendo com um familiar frustrado pela impossibilidade de investir no seu próprio caminho profissional. Além disso, a mudança de rotinas pode tornar o idoso mais dependente e sem estímulo à sua autonomia, acelerando o processo de perdas pela falta de produtividade e sensação de inutilidade.

Ao longo do ano procurei aspectos que pudessem instigar as reflexões dos leitores, imaginando que sejam pessoas que, como eu, têm interesse em aperfeiçoar sua visão sobre um futuro com qualidade de vida e bem-estar. Se estivermos preparados para participar das decisões sobre nossa moradia, mesmo quando houver um declínio físico ou intelectual, estaremos facilitando para filhos e outros familiares. Além disso, acredito que ainda haverá novos modelos de moradia coletiva para idosos, assunto que tenho pesquisado juntamente com outros profissionais e com estudantes de Gerontologia, que demonstram ser aqueles com quem contaremos na velhice, por serem capazes de estabelecer uma gestão ampla e adequada a cada caso. Todos queremos uma velhice controlada e sem constrangimentos, sendo essas as dores para as quais não há remédios que deem conta.

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