Ornamentos decorativos temáticos podem manter um clima de festa quando enfeitamos nossas casas?

Assistindo o filme “Um amor de Estimação” (UK, 2014), estrelado por Dustin Hoffman e Judi Dench, onde os personagens são idosos vizinhos em um edifício cujo projeto oferece sacadas em tamanhos variados e que permitem conversas entre andares diferentes, uma passagem chamou muito minha atenção, e é sobre ela que gostaria de compartilhar reflexões. O tema central refere-se ao carinho e cuidado que a idosa oferece ao seu bichinho de estimação, uma tartaruga, sobre a qual comenta com o vizinho que se preocupa com o fato de estar comendo pouco e que, se continuasse assim, estaria sofrendo. No entanto, não contava que o vizinho solteirão, dedicado a flores e inventos diversos, a admirava à distância e gostaria de agradá-la. Ele fala de uma antiga “simpatia” que pode reverter isso, mas passa a trocar a original por tartarugas cada vez maiores, tornando sua amada mais feliz. Passam a relacionar-se com mais frequência mas ela acaba descobrindo, através de um rival também vizinho, qual foi sua estratégia e fica desorientada, embora no final acabe entendendo e aceitando sua proposta de casamento.

A questão que me atraiu ocorreu numa das visitas que ele fez a ela, quando entrou no seu apartamento e disse que não lembrava que já era época de Natal, pois ela armara um pinheiro com muitos enfeites e luzes. Ela disse que de fato não era, mas que gostava tanto do clima natalino que armava a árvore sempre em agosto. E falou a frase instigante:

“De que adianta envelhecer se não pode quebrar regras?…”

Caracterizar a casa com elementos temáticos tem seguido regras históricas, tais como ornamentar para o Natal em 25 de novembro, um mês antes, e retirar dia 6 de janeiro, dia de Reis. Para a Páscoa, geralmente quando há crianças, se é que lembramos de aproveitar o verdadeiro motivo festivo a ser comemorado. São datas comerciais, muitos poderiam argumentar, mas acredito que concordariam que traz motivos para reunir família, amigos, vizinhos. Hoje já comemoramos o dia do idoso e o halloween que, mesmo sendo um evento de origem norte-americana, os cursos de inglês e escolas têm explorado a data como motivação para aprendizados. Mesmo o Natal, como o representamos, tem um Papai Noel vestido para o inverno e um pinheiro que não é comum no Brasil, mas mesmo assim nossos filhos e netos enxergam o espírito de festa que os símbolos representam, tais como solidariedade, alegria, atenção, acolhimento e encontro com a família.

E por que seguir regras se os símbolos nos trazem os conceitos em qualquer época do ano? Ter prazer é o principal resultado de uma ambiência equilibrada, tanto física quanto psicológica. Vale envelhecer contestando imposições culturais em detrimento da alegria de viver! O lugar onde vivemos deve refletir este estado de espírito.

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