Morar em residências coletivas com estrutura para atividades físicas torna a convivência mais estimulante?

A proposta de escrever sobre este tema veio de um amigo que, como eu, não frequenta academias porque não encontra um ambiente estimulante para o compartilhamento dos ambientes, visto que as pessoas têm objetivos muito diversos. Claro, todos estariam ali fundamentalmente para o condicionamento físico. Mas sabemos que há outros objetivos subliminares que, geralmente, tornam o lugar pouco atraente para alguns. Para quem não faz exercícios anaeróbicos regularmente, a presença de um personal trainer que demonstra o levantamento de um peso como se fosse leve e acompanha nosso frustrante esforço como quem aprova os primeiros passos de um bebê, continuar significa um enorme exercício de superação. E quando passeiam diante de nós as barrigas tanquinho, pernas torneadas e sorrisos de vencedores como se disputassem a subida ao pódio? Difícil competir e, portanto, o resultado é a desistência.

Se pensarmos em moradias coletivas com diferentes alternativas ou com programas que atendam expectativas mais modestas, certamente a coragem para superar o desânimo pode voltar. E principalmente se os convivas estiverem ali com a mesma intenção, pensando na manutenção da saúde física mas sem as pressões sociais muitas vezes implícitas nos modernos e barulhentos ambientes das academias comerciais. Caminhar, condicionar músculos, melhorar a respiração, vencer a obesidade, exercitar ritmos e alongar em situações de baixo impacto para as articulações, são necessidades que nosso corpo pede mas nem sempre temos o estímulo adequado para começar. Numa moradia coletiva isso é possível, pois não haveria qualquer intuito de competição e outros serviços de auxílio à autoestima, tais como massagens e terapias alternativas, completariam o processo de pacificação entre o indivíduo e o seu corpo.

As academias comerciais têm buscado novos formatos: para idosos, que mais parecem clínicas de fisioterapia apesar da ambientação mais contemporânea, ou somente a mulheres, que seduz as tímidas mas, mesmo assim, torna-se um lugar de comparação (íntima, é claro!) entre saradas e as nem tanto… Os templos de bem-estar, onde somam-se os diversos serviços com banhos de imersão em compostos perfumados e aparelhos que prometem reduções de medidas em quantidades duvidosas, geralmente são caros, exigem tempo e parecem mais atender ao desejo de status do que de saúde emocional. Ao uniformizarem todos com roupões branquíssimos e chinelos descartáveis, acabam por demonstrar que, no fundo, estamos procurando mais a nós mesmos do que realmente tentando transformar nossas perdas orgânicas em ganhos de adequação ao avanço da idade. Enfim, sinto falta de propostas que ofereçam programas assim, onde a rotina de morar vem acompanhada de outra, a de bem-estar consigo mesmo. Algo que novos empreendedores deveriam pensar e contratar arquitetos maduros que entendam do que estou falando.

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