A qualidade dos móveis residenciais pode fazer diferença quando o morador estiver mais frágil?

Quando abordei sobre o espaço necessário para morar com conforto e segurança na velhice, um colega arquiteto sugeriu que a qualidade dos móveis também deveria ser considerada, o que trouxe à reflexão desta semana. De fato, não basta indicar que poltronas e cadeiras tenham braços para facilitar o momento de levantar, e nem lembrar que camas e sofás tenham alturas confortáveis para evitar esforços desnecessários. As dimensões devem, de fato, ser observadas com cuidado, pois o formato de um móvel, visto no conjunto amplo de uma loja, nem sempre demonstra que tenha o tamanho adequado para o uso, fator que pode diminuir o custo e tornar o produto atraente. No entanto, a aparência engana e a rotina pode provar que o fator “conforto” não está sendo atendido.

Outro fator importante é a durabilidade, considerando-se a estrutura dos móveis e a escolha de revestimentos tratados e resistentes. A qualidade do material nem sempre pode ser avaliada por um leigo, especialmente sobre elementos acessórios, como puxadores, rodízios e corrediças. Ao contrário do que se conceitua, móveis mais leves podem ser mais resistentes do que os antigos e pesados de madeira, pois espessuras apropriadas em prateleiras, portas e gavetas em MDF trazem segurança, facilidade no manejo e boas alternativas de espaço interno em armários. Outros materiais têm oferecido alternativas, nem sempre duráveis mas podendo ser utilizadas com segurança em mesas de apoio para salas ou dormitórios.

A qualidade, considerando dimensões e durabilidade, torna-se ainda mais necessária em ambientes com água, como cozinha e banheiro. Alturas em balcões, assim como resistência a eventuais vazamentos, exige que a escolha do mobiliário de apoio seja cuidadosa, evitando acidentes. Também o fato de haver a presença de produtos abrasivos para que se mantenha a higiene adequada nesses ambientes determina que os materiais resistam a impactos que risquem ou manchem superfícies de trabalho. Nesse caso, a proporção quanto à altura deve atender os princípios da ergonomia, considerando a máxima produtividade com o menor esforço físico. Nisso também importam as profundidades de armários a partir de portas, recomendando-se gavetas sempre que possível, para facilitar o acesso ao objeto desejado.

Todas essas questões se agravam quando o morador é frágil ou está em processo de perda das capacidades físicas, pois apoia-se mais nos móveis, deambula com menor assertividade, arrasta os pés e tem alguma dificuldade na sustentação do próprio corpo, o que exige movimentos mais bruscos e menos precisos. Por esse motivo, quando pensamos em móveis adequados para morar na velhice é preciso, sim, pensar em peças úteis mas com qualidade, de modo a serem proporcionais para o conforto, duráveis para a segurança e, claro, bonitos para o prazer. Afinal, racionalizar não é apenas optar pelo barato mas, sim, atender nossas necessidades e desejos.

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