A baixa caminhabilidade nos bairros compromete a presença de idosos em atividades sociais com vizinhos?

As cidades vêm se desenvolvendo com desenhos que acompanham a evolução da tecnologia, em especial quando consideramos a diversidade de modelos de automóveis, ônibus, caminhões e motocicletas, todos cruzando grandes avenidas e tornando o ambiente mais tenso. A regulamentação que define a faixa de segurança como prioritária ao pedestre nem sempre é respeitada, tornando os veículos motorizados verdadeiras ameaças à paz urbana, em especial quando se tornam instrumentos agressivos. O uso de aplicativos que aceleram o acesso a viagens pela cidade aumenta ainda mais o número de carros nas ruas, numa competição por clientes que engrossa o tráfego já bastante intenso.
A palavra “caminhabilidade” é um neologismo que surge da tradução de walkability, termo em inglês que se refere à qualidade do lugar para caminhar, considerando que seja acessível e amigável para uso de todos. Se considerarmos que a mobilidade urbana abrange o movimento de pedestres além do uso do transporte particular ou público, em especial o de massa, vemos que há uma desproporção de espaço destinado a esse conjunto de meios para deslocamento na cidade. Embora o pedestre predomine, em especial porque há distâncias a serem cobertas à pé até estações de metrô, trem ou pontos de ônibus, as áreas destinadas a calçadas, geralmente estreitas e com problemas sérios de manutenção, tornam-se limitadores para que sirvam não somente a passagens, mas poderiam (e deveriam!) ser também lugares de encontro e socialização, especialmente nos bairros.
Idosos muitas vezes são intimidados pelos riscos que a violência urbana tem impingido aos cidadãos, além de encontrarem obstáculos em lugares ainda não acessíveis, apesar de a legislação brasileira vigorar desde o ano 2000. Assim, o comércio dos bairros se justifica e se consolida, à medida que atende a necessidades rotineiras e aos desejos daqueles que buscam soluções para demandas mais urgentes. Além disso, frequentar padarias, farmácias e outros estabelecimentos no próprio bairro pode possibilitar encontros, seja com vizinhos ou com outros que, aleatoriamente, cruzarão trajetos semelhantes, o que permite trocas positivas ao passear cães, observar o movimento ou parar para um café com amigos. Se houver praças ou espaços mais amplos a partir de gentileza urbana, talvez esses encontros possam se tornar atividades mais corriqueiras e enriquecidas por iniciativas que gerem outros destinos, criando uma corrente propícia ao envelhecimento ativo.
A caminhabillidade é um objetivo que se torna, a cada dia mais, uma meta no redesenho das cidades, na organização do trânsito e na prevenção de riscos relacionados à segurança pública. É preciso que se entenda que, ao sairmos da rua, damos lugar ao crime e ao medo de que este lugar, tão nosso quanto nossas casas, se torne um território de ninguém. Envelhecer sem ser refém onde moramos: eis um tema a pesquisar e desenvolver.

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