Acreditamos que o progresso tem acompanhado as necessidades dos idosos ao observar suas limitações no espaço público?

Ao visitar o Museu do Ceará, em Fortaleza, é possível conhecer elementos da evolução urbana dessa capital em alguns módulos do percurso em que se destacam aspectos do progresso que acompanhou seu crescimento. Em determinado momento são expostos objetos de iluminação artificial, tais como candeeiros e lamparinas, destacando os períodos de transformação da iluminação pública. É surpreendente ler, junto a essas informações organizadas de modo cronológico, a seguinte afirmação:

“Dominar a luz significa interferir no ritmo cíclico da natureza, com sua alternância de dias e noites. Não por acaso o progresso era – e ainda é – medido pela quantidade de luz.”

Por mais que seja óbvio, esse pensamento foi construído com sagacidade, pois resumiu toda uma ideia que, ainda hoje, determina modos e momentos de apropriar-se das cidades, a cada dia mais assoladas pela hostilidade do crime e pela diminuição da gentileza nas relações sociais, necessárias no espaço público. Iluminação eficiente determina trajetos, espaços de permanência e a possibilidade de contemplar a dinâmica da cidade, diferente ao longo do dia. O uso de lâmpadas led – light emitter diode – aumentou a eficiência luminosa com maior durabilidade e menor consumo de energia, tornando-se a melhor opção para a manutenção em luminárias de ruas e praças, de modo a garantir que haja boa iluminação no trajeto dos cidadãos. Às pessoas que têm algum comprometimento visual isso se torna ainda mais importante, pois a insegurança de caminhar na rua com limitações de mobilidade agravadas pela baixa visão impossibilita atividades positivas de convivência social. Também considerar que a luz, natural ou artificial, pode orientar sobre o tempo que passa ao longo do trajeto, como um relógio sempre a determinar a passagem das horas. Ainda no Museu do Ceará, estão expostas imagens de um antigo relógio instalado na praça:

“Tempo, disciplina, pontualidade: o ritmo preciso dos relógios orienta cada vez mais as condutas em público e no trabalho, em casa e no próprio corpo. Luz artificial e tempo matemático do relógio: conquistas da tecnologia que caracterizam novos modos de viver em Fortaleza.”

Novos modos de viver surgem por demandas exigidas pela rotina. Relógios digitais apresentam-se associados à publicidade, aproveitando o momento para as duas finalidades. Estão a cada dia mais altos, iluminados e visíveis à distância, porque a velocidade dos carros supera a dos pedestres, coagidos a manterem-se junto a muros e grades, apertados entre si para fugir do fluxo de veículos. Nossas cidades progridem com a tecnologia, mas faltam iniciativas para o progresso dos encontros, da humanidade e das relações sociais positivas, em especial quando há diversidade e intergeracionalidade. É preciso repensar esses lugares de encontro no espaço urbano, apesar da premência do tempo e da violência que assola as cidades, empregando a tecnologia em favor do envelhecimento ativo.

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