Vizinhos podem representar o suporte social mais importante para idosos que moram em condomínios?

O filme “Um Homem Chamado Ove” (Suécia, 2015) apresenta um morador com 59 anos, recém demissionário do emprego, mau humorado e controlador de regras no condomínio em que morava. Decide tirar a própria vida, mas a presença constante de vizinhos o obriga a uma interação a princípio não desejada mas que, com o tempo, preenche sua solidão causada pela viuvez. Apesar de grosseiro, as pessoas o compreendem porque conheciam a esposa falecida, e sabiam o quanto ambos eram bons e solidários. Assim, ele é solicitado a ensinar à nova vizinha grávida a dirigir, a ajudar com as crianças, a acolher um jovem rejeitado pelo pai por ser gay, a adotar um gato machucado e a impedir que outro vizinho que sofreu um AVC seja levado à força para um asilo, o que o tornou uma referencia importante, especialmente por zelar pela manutenção da ordem no condomínio.

Desde cedo, ouvia de meu pai que “vizinhos são mais importantes que parentes”, pois a simples proximidade física acaba por justificar que haja apoio mútuo, em quaisquer circunstâncias. Mais ainda, a solidão é uma das queixas mais frequentes de idosos que moram sós ou com familiares que trabalham o dia todo, sendo a convivência no edifício e no bairro um modo de superá-la. Alguns países, como a Inglaterra, implementaram políticas públicas que incentivam a que vizinhos se visitem para prevenir problemas mais graves decorrentes da falta de relacionamento social. Em São Paulo há o PAI – Programa de Acompanhante do Idoso, política pública do governo municipal que segue diretrizes tais como assegurar o acesso do idoso frágil aos recursos da comunidade, propiciar sua participação social, respeitar seu espaço de moradia e incentivar a autonomia e a independência, entre outras. Muitas vezes o que falta é a simples atenção, o interesse em ouvir e o acolhimento em momentos de fragilidade emocional: um “beijinho na testa” pode ser o melhor remédio para as dores da alma.

Idosos que moram em condomínios geralmente podem contar com vizinhos, pois criam um relacionamento a partir de encontros acidentais nas áreas comuns e, principalmente, quando atuam diretamente nas decisões de manutenção e melhorias. E quando há porteiros e zelador, intermediários entre a área pública e a privada, aumenta ainda mais a conexão que se estabelece ao se considerar que a convivência positiva é importante para o bem-estar de todos. Muitos idosos sentem-se invisíveis quanto às suas necessidades, e a proximidade de vizinhos e colaboradores de condomínios acaba sendo um meio de comunicação eficiente até para familiares ausentes por compromissos profissionais ou, mesmo, por negligência.

A decisão de morar só ou com familiares vai depender da autonomia do idoso que, mesmo sem fragilidades, pode preferir uma moradia coletiva com assistência, garantindo inclusive a escuta constante e imediata. Mas vizinhos são componentes importantes no suporte social, de modo a garantir o apoio em momentos de necessidade.

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