Temos preconceitos adquiridos em modelos familiares que dificultam escolher novos modos de morar na velhice?

Tenho ratificado que o nome Ser Modular vem da necessidade de repensarmos nossos padrões de moradia, em busca de novos modelos que ofereçam segurança e conforto na velhice. Ao ler o artigo do Portal Raízes intitulado “Vida Maria, Um Curta-Metragem Que Todos Devem Assistir”, fiquei curiosa com a proposta e deparei-me com um vídeo muito instigante (https://www.youtube.com/watch?v=k-A-g-BfGrI), realizado com o apoio do Governo do Estado do Ceará e com foco na difícil evolução da educação de crianças em áreas rurais, o que impede que alcancem melhores condições de vida e a realização de sonhos.

“Vida Maria é um curta-metragem em 3D, produzido pelo animador gráfico Márcio Ramos. O filme nos mostra a história da rotina da personagem “Maria José”, uma menina de cinco anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar na roça. Enquanto trabalha ela cresce, casa e tem filhos e depois envelhece e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias suas filhas, netas e bisnetas.”

Coordeno uma pesquisa em fase inicial, que pretende levantar as perspectivas de pais idosos e seus filhos maduros sobre a moradia na velhice, imaginando que haverá semelhanças mas, também, poderemos encontrar soluções extremamente preconceituosas, especialmente pelo pensamento dos filhos. De qualquer modo, certamente percebe-se, intuitivamente, que muitos de nós mantemos nosso padrão de moradia com características semelhantes àquelas que vivíamos na fase jovem, apesar das mudanças tecnológicas e da oferta de novas opções em design de móveis.

“O filme retratou como o indivíduo em formação internaliza os eventos e as experiências vividas na infância e como são determinantes para formação daquela pessoa na vida adulta. No filme a menina Maria foi arrancada do seu mundo lúdico, quando sua mãe a repreende por estar escrevendo, ela corta da vida da filha os sonhos, os objetivos de uma vida melhor.”

É evidente que a educação que recebemos no seio da família moldará nosso caráter, mas muitas vezes também pode congelar iniciativas de mudança, especialmente as que advêm de soluções criativas para situações que encontramos ao longo da vida. E há, ainda, a formação de novos núcleos familiares, pois o casamento reúne duas pessoas com vivencias diferentes que ajustarão seus desejos e necessidades para a convivência neste novo lar, passando a educar seus sucessores, e assim por diante. Novos arranjos familiares têm trazido maior abertura nessa tradição, mas os modelos de moradia têm se repetido, apesar de as dinâmicas sociais terem transformado os comportamentos. Somos Marias que reproduzimos a conduta de nossas mães, mantendo a cômoda rotina de hábitos domésticos sem arriscar inovações nas moradias? Deveríamos ser modulares, revendo preconceitos e procurando uma moradia mais adequada para a velhice.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.