Modos de morar alternativos são considerados quando se discutem paradigmas da sociedade frente à aceitação da diversidade?

No último dia 18 de junho, São Paulo recebeu um dos eventos de maior arrecadação para o município, a Parada do Orgulho LGBT, também conhecido como Parada Gay. A cada ano é possível perceber o aumento da presença e da participação de pessoas interessadas em reconhecer o tema da diversidade de gênero, portando fantasias e cartazes ou, simplesmente, assistindo essas manifestações. Havia crianças, jovens, adultos e idosos, provocando a atenção para o tema central do evento ou apenas apoiando, considerando que a presença tão significativa de pessoas diversas simplesmente enfatiza seu objetivo: somos todos cidadãos vivendo em um mesmo lugar. E quando se fala em diversidade, é preciso afastar preconceitos que estabeleçam padrões sociais e expectativas de comportamento, o que geralmente resulta em intolerância e exclusão.

Diversidade de gênero, apesar de ser o foco do evento, faz refletir sobre a diversidade socioeconômica, religiosa, etária e étnico cultural, além de considerar as diferentes condições de mobilidade física e/ou capacidade cognitiva, o que traz a este ensaio o foco sobre o qual pretendo desenvolver: se somos todos diferentes, considerando essas características que nos colocam em diferentes categorias no convívio social, por que raramente somos capazes de pensar diferentes modos de morar e acabamos por nos adaptar a modelos prontos, oferecidos pelo comércio imobiliário? As inovações que têm sido apregoadas nos lançamentos de edifícios ditos inovadores referem-se à oferta de espaços coletivos mais adequados às demandas contemporâneas, é preciso reconhecer… mas são proporcionais à diminuição de áreas privativas e, na maioria das vezes, não são oferecidos serviços complementares além dos essenciais, relativos à manutenção da segurança e da limpeza das áreas comuns.

Novos modos de morar devem traduzir culturas e a histórias diversas, sendo que o arquiteto é o profissional que traduz essas diferenças, interpretando os desejos e as necessidades dos moradores ao oferecer novos projetos. Pensar empreendimentos adequados para idosos já se apresenta como uma necessidade de mercado, mas não é simplesmente considerar as fragilidades consequentes do avanço da idade. A velhice é heterogênea e não há um padrão para as necessidades de pessoas cada vez mais longevas. Somos diferentes pelos hábitos que desenvolvemos na juventude, pela cultura que trazemos de nossas origens e pelas histórias que vivemos ao formar novas famílias, a partir do que arranjos decorrentes de separações e recasamentos trazem novas alterações, tornando cada vez mais dinâmicas as mudanças da sociedade e a população ainda mais diversa. Mesmo não havendo uma fórmula única, moradias inovadoras são uma necessidade que não pode ser negada, cabendo aos construtores oferecerem soluções mais adequadas.

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