Somos capazes de reconhecer limitações que nos impeçam de ser mais realistas quanto à moradia na velhice?

A geração baby boomer, da qual faço parte, tem enfrentado conflitos pessoais e em família quanto a decisões sobre a moradia mais adequada de seus parentes idosos. Tenho abordado em postagens anteriores que, para o idoso independente, é possível permanecer morando só, desde que haja discernimento para auto avaliar a possível chegada de fragilidades que exijam um cuidador. Ou morar com parentes, desde que haja a clara manutenção de papéis sob o mesmo teto e que se mantenha a mínima privacidade para todos. Ou, ainda, morar em residenciais coletivos, especializados no atendimento de demandas específicas. De qualquer modo, e por diversas razões, esse é um assunto ainda polêmico para a maioria dos brasileiros, que podem tomar decisões sem a participação do sujeito principal e tornar qualquer transição extremamente penosa, ou complicar as relações entre familiares por questões tais como culpa, falta de informação ou restrições econômicas.

Mas há também os motivos apontados pelo filósofo Luiz Felipe Pondé: (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2017/07/1897850-deixar-os-pais-na-casa-de-repouso-e-um-direito-do-cidadao-que-quer-ser-feliz.shtml?cmpid=compfb):

“O impacto dos avanços tecnológicos, científicos e médicos criaram uma sobrevida na espécie humana jamais imaginada. Vivemos mais, mas somos cada vez mais solitários. (…) Os avanços sociais e políticos, passo a passo com os avanços técnicos citados acima, produzem uma sociabilidade cada vez mais egoísta — o egoísmo é a grande revolução moral moderna. As pessoas emancipadas tendem ao egoísmo como forma de autonomia.”

É prudente reconhecer a dinâmica de vida predominante na rotina da maioria das pessoas, considerando que estamos trabalhando mais tempo porque há uma mudança de perspectiva quanto a isso. Nossa relação com o trabalho tem mudado e hoje procuramos prazer em nossas atividades mais do que o retorno financeiro em si, que acaba sendo uma consequência natural do desempenho que se estabelece nessa nova relação. Essa situação, além da já conhecida queda da natalidade que diminuiu muito o número de familiares disponíveis, determina que faltem recursos humanos para cuidar de parentes idosos, o que justifica os profissionais em domicílio ou em condomínios.

Assim sendo, pensar alternativas de moradia enquanto ainda não são urgentes é a proposta deste espaço de discussão, especialmente porque o preconceito ainda é o pior inimigo da ponderação. O pensamento abdutivo, aquele que considera alternativas fora da cadeia simples da dedução linear e direta, é um modo de pensar “fora da caixa”, sendo importante buscar informações sem pré-julgamentos, evitando a resistência ao novo ou ao diferente. Com informação garante-se a capacidade de decidir enquanto não há dependências, estabelecendo harmonia, bem-estar e qualidade de vida a todos os envolvidos nestas escolhas.

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