Cidades inteligentes serão a garantia de envelhecimento saudável para termos qualidade de vida na velhice?

No último dia 21 de junho, tive o prazer de assistir quatro palestras muito interessantes no evento denominado Connected Smart Cities 2017, que ocorreu em São Paulo e reuniu interessados em atualizarem-se sobre políticas públicas, processos e produtos destinados a tornar cidades mais efetivas aos seus cidadãos. Basicamente foram apresentadas soluções oferecidas por governos, entidades do terceiro setor e pela iniciativa privada, disponibilizando uma perspectiva de futuro melhor a partir de experiências bem sucedidas em recentes empreendimentos inovadores.

O jornalista Alfredo Sirkis defendeu cidades verdes, vista a alta complexidade do ecossistema urbano que, segundo ele, tem como nutriente a diversidade de usos – social, étnico e cultural. A dependência exacerbada do uso do automóvel reprime a expansão de áreas apropriadas para pedestres e o consequente tratamento da paisagem, incluindo a vegetação e todo o mobiliário que estimula as trocas entre os cidadãos, já que a presença do homem no espaço público é o que determina seu planejamento.

Cristiane Crisci, representante da empresa ZAP que atua no mercado imobiliário, apresentou uma pesquisa de Qualidade de Vida aplicada nos municípios do Rio de Janeiro e São Paulo. Os pontos críticos levantados foram a segurança pública em primeiro lugar e a infraestrutura precária para idosos em segundo, denotando que esse público já manifesta preferências quanto ao melhor lugar para morar. As transformações urbanas determinam aperfeiçoamentos positivos e agregam valor ao lugar de moradia, tanto mais quanto mais seguro estiver para o uso do espaço público.

A pesquisadora Danielle Bressiani destacou a necessária resiliência urbana para a continuidade da cidade após mudanças climáticas impactantes. Demonstrou sistemas de controle desenvolvidos no Labs Climatempo em São José dos Campos e comentou o desenvolvimento de uma proposta para que isso ocorra utilizando o homem como meio de sinalizar mudanças, de modo a tornar as cidades menos vulneráveis, mais sustentáveis e resilientes através da tecnologia e da participação colaborativa.

Por fim, o gerente institucional do Instituto Longevidade Mongeral Aegon, Antônio Leitão, apresentou os resultados da pesquisa desenvolvida para estabelecer o Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade – IDL, aplicada num universo de 498 municípios brasileiros, divididos em dois grupos: 150 cidades grandes (com maior número absoluto de habitantes) e 348 cidades pequenas (com população entre 50 e 100 mil pessoas). Entre as grandes ficaram em primeiro Santos, seguida por Florianópolis e depois Porto Alegre, e não é para menos que todas apresentam uma população significativa de idosos, o que confirma a pesquisa da ZAP. Ou seja, as pesquisas convergem para um mesmo ponto: as cidades inteligentes são aquelas que oferecem boas condições para viver na velhice, e somos todos responsáveis para que isso aconteça de modo efetivo.

2 comments on “Cidades inteligentes serão a garantia de envelhecimento saudável para termos qualidade de vida na velhice?

  1. Do que eu gostaria mesmo, era de saber se há preocupação com pessoas idosas, mas lúcidas é que queiram um lugar parecido com lar e não com asilo. O que se está vazando, como podemos ajudar.
    Obrigada

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    • Paula, o foco do blog é, justamente, refletirmos sobre alternativas que sejam mais compatíveis com as diferentes velhices, pois as instituições de longa permanência para idosos, apesar de estarem mais sistematizadas, não diferenciam idosos em diferentes estágios apesar da classificação em 3 níveis de dependência. No final, todos ficam um pouco misturados. Já há alguns empreendimentos diferenciados, mas considero que é preciso aumentar as opções que ofereçam alternativas de escolha para os próprios idosos e não somente aos familiares. Podemos ajudar discutindo, esclarecendo, educando os jovens sobre a necessidade de estarem informados sobre o momento de reconhecer que a velhice já impõe algumas especificidades. Obrigada pela sua participação, convido a que leia os textos iniciais onde coloco mais detalhadamente essas considerações. Abraços…

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