Quais são as alternativas de moradia compartilhada para idosos jovens, independentes e ativos?

Quando se discutem alternativas de moradia na velhice, podemos refletir que há soluções para pessoas frágeis física ou socialmente. As instituições de longa permanência para idosos, assim denominadas tecnicamente, já oferecem serviços de mais qualidade e segurança, visto serem fiscalizadas para que não haja abusos de qualquer natureza. Mesmo assim ainda remetem à lembrança dos antigos asilos, lugares de solidão e abandono, para onde eram encaminhados aqueles que não tinham suporte financeiro e/ou social para manterem-se com as famílias. Mesmo com novas propostas surgindo, mais inovadoras e com serviços mais abrangentes, ainda há o preconceito quanto a morar em residenciais geriátricos, causando culpa, conflitos e disputas entre muitos familiares que optam por essa solução.

Mas há os idosos jovens, considerando-se a faixa etária a partir dos 60 anos de idade. Mais do que a questão simplesmente cronológica, sabe-se que o envelhecimento é heterogêneo e dependente da história de vida de cada um. Um envelhecimento ativo resultará em idosos mais autônomos, que podem prescindir do cuidado de terceiros por manterem, por mais tempo, as capacidades físicas e o discernimento. Também podemos considerar os impactos do ambiente construído na manutenção da cognição: há estudos que propõem o necessário isolamento acústico nas áreas de repouso de residências por analisar os efeitos dos ruídos, em especial durante o sono, fator que tem sido apontado como significativo para a evolução de demências, além da questão genética. Assim, não há como comparar apenas a idade, pois cada pessoa envelhece de acordo com medidas preventivas (praticando atividade física, alimentação saudável e sem vícios) ou curativas, a partir de efeitos advindos do seu modo de vida.

Assim sendo, como ficam os idosos independentes que queiram racionalizar despesas, conviver com pessoas que tenham interesses semelhantes ou, simplesmente, queiram diminuir os compromissos com a manutenção de uma residência? Há propostas muito interessantes, tais como a difundida no Brasil pela arq. Lílian Lubochinski (https://www.facebook.com/CohousingBrasil/) e que sugere essas vantagens para aqueles que se disponham a compartilhar espaços de moradia. É preciso ser flexível e capaz de conviver com diferentes temperamentos, além de estabelecer regras claras para essa convivência. Por outro lado, empreendimentos imobiliários contemporâneos têm oferecido menos espaço privativo (chegando a estúdios de parcos 10m2…) e muito mais espaço compartilhado em academias, piscinas, áreas gourmet, espaços de estar e para coworking, mas sem garantia de convivência. É possível considerar residenciais coletivos que ofereçam facilidades para o dia-a-dia sem que lembrem asilos ou locais de solidão. Hoje são associados a hotéis terapêuticos e oferecem serviços diferenciados e com alto custo: é preciso repensar soluções intermediárias mais acessíveis para atender idosos independentes e ativos.

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