Quais os caminhos da tecnologia assistiva como coadjuvante no cuidado de idosos solitários?

Podemos encontrar produtos voltados a facilitar o desempenho de pessoas com necessidades especiais, mas ainda faltam opções em dispositivos voltados para o público idoso, especificamente. Além de andadores e cadeiras de roda, somente banheiras que permitem sentar com conforto e sair lateralmente, sistemas eletrônicos tais como sensores de presença para abertura e fechamento de portas e cortinas, controle de TV, iluminação e ar condicionado. Portanto, pouca inovação para agregar ao dia-a-dia dos idosos, em especial nos ambientes de moradia, com ênfase na segurança e no conforto físico. E como ficam aqueles que sofrem com a solidão?

A animação veiculada pela FitrihadiTV no Youtube em 2013 intitulada “Changing batteries”- https://www.youtube.com/watch?v=O_yVo3YOfqQ&feature=share – apresenta a história de uma idosa que recebe um robô como presente do filho que não poderia visita-la naquele ano. A princípio o utiliza para manutenção da casa, mas percebe que sua companhia preenche alguns vazios, tais como contemplar o pôr-do-sol na varanda, assistir TV e ser coberta ao cochilar na poltrona. Passa a cuidar do novo amigo, em especial alimentando-o com óleo lubrificante e trocando suas baterias quando fica sem energia. Mas está doente e morre, momento em que o pequeno robô tenta reanima-la colocando baterias novas nos seus bolsos, tal como era com ele. Ao finalmente não ter quem trocasse as suas, reencontra a amiga, com quem vai ao circo, pois já tinham os ingressos antes da sua morte.

História semelhante encontramos em “Frank e o Robô” (EUA, 2012), protagonizado pelo ator Frank Langella, sobre um ladrão de joias aposentado e seus dois filhos adultos. Preocupados com o pai, acabam decidindo interná-lo em um asilo, mas mudam de ideia ao descobrirem que há à venda um robô programado especialmente para ajudar pessoas frágeis. Ele inicialmente o rejeita e sente-se incomodado, mas percebe que encontrou um amigo e, com ele, volta a cometer crimes. Voltar à atividade melhora seu humor e sua capacidade de convivência, afastando a rabugice que o acompanhava pela falta de interesse pela vida, fato demonstrado pelo plano que traça com detalhes junto ao seu novo parceiro que, racional como era de se esperar, constantemente questiona a validade dos riscos envolvidos na execução do crime.

Ambas as histórias são apresentadas num cenário futurista, mas não distante do que podemos considerar como válido no cuidado de pessoas idosas solitárias. O cuidado envolve manejo físico, mas também o conforto emocional, com trocas positivas nos eventos diários. O comércio já disponibiliza pequenos robôs de limpeza, recarregáveis e com autonomia para aspiração e manutenção do piso. Além disso, sistemas inteligentes que avisam condições de controle da geladeira, além de outros para comunicação ágil e clara, com vídeo e sensores. Controles de abertura personalizados, guardando a segurança dos espaços privados. Para a solidão, videoconferências aproximam familiares onde quer que estejam, mas não garantem a percepção clara se houver um estado depressivo ou declínio funcional. Que venham novos sistemas! As pesquisas sobre possibilidades inovadoras demonstram que já é hora de aproveitar a tecnologia, basta acreditar no investimento.

One comment on “Quais os caminhos da tecnologia assistiva como coadjuvante no cuidado de idosos solitários?

  1. […] robôs como companhias, evidentemente sem descartar família e amigos como principais coadjuvantes (https://sermodular.com.br/2017/09/22/quais-os-caminhos-da-tecnologia-assistiva-como-coadjuvante-no-c… ). No mesmo ano, em novembro, nova abordagem sobre o uso da tecnologia, desta vez sobre […]

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