Sentir-se em casa significa saber a diferença entre o preço e o valor da moradia?

O poeta cearense Bráulio Bessa, autor de Poesia com Rapadura, trabalha no resgate de um patrimônio importante na cultura brasileira, que é a literatura de cordel. Desenvolve reflexões profundas e esclarecedoras, tratando das emoções humanas com extrema sensibilidade. Há poucos dias, no programa Encontro com Fátima Bernardes, falava-se sobre valores essenciais para a felicidade e seu depoimento tocou a todos pela franca simplicidade como foi colocado. Descreveu uma infância modesta quando a mãe, costureira, fazia suas roupas e não podiam comprar produtos prontos e de marcas da moda. Ele sentia a diferença, pois os amigos desfilavam roupas compradas em lojas e as dele, feitas em casa, não atendiam seus desejos de menino, fase da vida onde é natural a competição. Segundo ele, ao longo do tempo, percebeu que havia justamente essa grande diferença: o preço não permitia certas compras mas havia muito valor nas roupas que sua mãe fazia com amor e dedicação, uma experiência que forjou seu caráter e demonstrou a importância de uma vida autêntica, mesmo com limites.

Faz pensar sobre as diferenças de moradias que atendem pessoas de todas as idades, mas nem sempre com o conforto e a segurança que muitos desejariam. Na fase da velhice isso pode tornar-se ainda mais significativo, porque geralmente esses lugares de viver são muito mais que abrigos, sendo também espaços onde se acumulam lembranças e histórias individuais. Em estágios do curso de Gerontologia que acompanham idosos em Centros de Acolhida Especiais, há muitos casos de acumuladores, pessoas que têm dificuldade em descartar objetos que seriam inúteis para muitos de nós, mas que são importantes para a manutenção do seu bem-estar e da sua identidade. Sabemos, sim, que é um transtorno, mas que reflete a necessária manutenção de um “patrimônio” conquistado. Afinal, um valor que não tem preço.

Os preços de imóveis estão diretamente relacionados com a localização geográfica de cada um, já que a construção com materiais mais ou menos caros custaria o mesmo em qualquer lugar. Vale muito a proximidade de comércio e serviços, assim como a facilidade de transporte e a segurança policial. Também agregam valor os parques e áreas verdes, que oferecem lazer e qualidade ambiental melhorada, especialmente quando há boa manutenção. Mas o que realmente torna a moradia um lugar para sentir-se em casa é onde haja personalidade, pois mesmo em edifícios com muitas unidades habitacionais iguais cada uma terá “a cara do dono”, composta com elementos trazidos através de escolhas ao longo da vida e complementados por objetos, fotos e acessórios que contam a história de cada sujeito. Aí reside o valor, independente do preço, e é nisso que se fundamentam as escolhas por moradias individuais ou coletivas. Sejam modestas ou requintadas, o valor estará na sensação de lar ao sentir-se em casa, lugar definido por cada morador que se sinta feliz. Quaisquer opções podem refletir o valor do melhor lugar para viver!

2 comments on “Sentir-se em casa significa saber a diferença entre o preço e o valor da moradia?

  1. A sensibilidade de olhar para as moradias, assim como para as pessoas, com os olhos do coração é inerente a todos nós…. pena que tão raros o fazem!
    Há tantas outras preocupações imediatas e inúteis nos alarmando o tempo todo que nos esquecemos que sentir-nos bem onde estamos é mais importante do que “quantos cômodos” há neste coração ou nesta habitação….

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