Quando filhos adultos voltam a morar com os pais, a dinâmica de vida em família continua a ser como era?

Muitas pesquisas já aprofundaram os efeitos do “ninho vazio”, quando filhos saem de casa para buscar independência, criar seus próprios espaços de vida e formarem suas famílias, sejam quais forem os arranjos. Em geral é constatada uma síndrome que marca a necessidade de requalificar espaços da casa, reinventar o tempo livre e readequar as relações sociais. Passado esse período de transição, outros elementos entram em cena: novas pessoas surgem, sejam agregando-se à família ou nascendo, frutos dos relacionamentos estabelecidos a partir de então, o que muda definitivamente a dinâmica original.

Em função da mudança de diversos paradigmas, tais como a decisão por famílias menores, a busca por maior aperfeiçoamento num mercado mais competitivo e a mudança nas relações entre pais e filhos, considerando a ausência maior em função de mais tempo fora de casa, criou-se a chamada “geração canguru”, filhos que demoram mais para construir seus próprios lugares de morar ou que contam com os avós para o apoio a filhos pequenos. Soma-se a isso a redução dos espaços da casa para as reuniões, além do tempo consumido com deslocamentos nas grandes cidades e a facilidade para viagens organizadas por pacotes turísticos. Ou seja, há aqui também uma mudança significativa na dinâmica original dos grupos familiares.

Mas, e quando filhos adultos voltam a morar com os pais, por questões de conveniência financeira? Estamos vivendo períodos de sucessivas crises sociais geradas por instabilidade econômica, o que traz extrema insegurança e dificuldade na manutenção do status. No filme “Mamãe, Voltei!” (França, 2016), uma arquiteta de 40 anos, divorciada e mãe de um menino, é forçada a ter seu escritório fechado por ter levado um calote de cliente, perdendo bens e condição financeira para manter-se independente. A mãe, viúva havia um ano, mora só no apartamento original, pois os outros dois filhos também tinham seus compromissos profissionais e familiares e se mantinham independentes. Portanto, por que não voltar para “casa”? Ocorre que a mãe tinha um namorado secreto, que planejava apresentar aos filhos para assumir o relacionamento e viver plenamente, sem restrições. A trama resgata antigas rusgas entre os irmãos e a intromissão na vida da mãe, que eles julgavam sem compromissos e sozinha, portanto com espaços na casa que ainda julgavam seus.

O aumento da população idosa é resultado de maior longevidade, em função de envelhecimento mais consciente e ativo, mas também da baixa natalidade, caracterizando famílias menores e em espaços de moradia igualmente menores, também, pelas mudanças nos modos de morar. Temos mais tecnologia para facilitar a manutenção da casa e contamos com menos mão-de-obra auxiliar para os diversos cuidados da vida. Isso imprime um ritmo diferente, além de tornar as relações sociais mais flexíveis. Não há porque ficar só na velhice e as parcerias preenchem essa lacuna: o ninho apenas se reinventa…

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