Moradias inovadoras para a velhice estariam associadas a novos comportamentos frente à tecnologia?

Desde 1997 tenho pesquisado sobre moradia na velhice, passando por decepções tais como ter projetos recusados em pesquisa e extensão, sob o argumento de não ser um tema importante, até ouvir que não há diferença alguma quando o morador é jovem ou velho, reação do meu orientador quando propus esse tema para o doutorado. Em 2006, terminado o período de pesquisa e desenvolvimento da tese, tive o prazer de ouvir que havia mudado de opinião, reconhecendo que seria um novo campo a explorar. Só recentemente o assunto começou a ser mais discutido, motivo pelo qual há dois anos publico novas reflexões a cada semana, ininterruptamente.

Ao longo desse tempo, a tecnologia assistiva evoluiu a serviço do cuidado, voltando-se para o desenvolvimento de dispositivos acessórios à atenção de cuidadores, acompanhando a velocidade da informação e da necessária racionalização do tempo destinado ao trabalho, decorrente da constante atualização profissional. Medidores de pressão arterial e batimentos cardíacos que enviam dados podem garantir um acompanhamento remoto com segurança, assim como outros dispositivos que avisam sobre quedas permitem um socorro rápido e previnem outras intercorrências. Ou seja, já é comum usar a tecnologia como coadjuvante do cuidado. Então, o que pode ser feito para facilitar as rotinas da moradia de pessoas idosas?

Já são amplamente ofertados eletrodomésticos que facilitam as atividades na cozinha, com recursos digitais para programação no funcionamento e na segurança para manejar utensílios e conservar alimentos. Outros conferem boas condições de temperatura e umidade do ar nos ambientes da moradia, com detectores que se autorregulam dependendo das variações de clima e de movimentação de pessoas. Também equipamentos de áudio e vídeo, a cada dia mais leves e interativos, possibilitando melhor qualidade e maior satisfação na experiência do usuário. Igualmente há equipamentos robotizados para limpeza de superfícies de piso, recarregáveis e com programas que impedem que o aparelho tombe ou arranhe os móveis.

É necessário pensar que, se mudamos de comportamento com o uso de smartphones e outros dispositivos de comunicação, a cada dia mais leves e versáteis, morar como morávamos há muitos anos atrás só se justifica se não quisermos sair do mesmo lugar. Por outro lado, vivendo mais e melhor, sendo modulares podemos descobrir modos mais confortáveis e seguros de moradia, em especial quando nossos sentidos decrescem, assim como o equilíbrio e a força. Mais ainda, nossas relações sociais também mudaram, pois se antes as grandes mesas de jantar eram imprescindíveis, hoje sabemos que mais valem bons colchões e poucos assentos confortáveis do que ambientes diversos para recebermos visitas. Esses novos comportamentos e a evolução constante da tecnologia certamente podem estabelecer as moradias inovadoras que todos desejamos, em especial na velhice. Bons projetos arquitetônicos, produzidos em equipes multidisciplinares, mudarão este cenário!

One comment on “Moradias inovadoras para a velhice estariam associadas a novos comportamentos frente à tecnologia?

  1. […] sobre o uso da tecnologia, desta vez sobre dispositivos acessórios à atenção de cuidadores (https://sermodular.com.br/2017/11/03/moradias-inovadoras-para-a-velhice-estariam-associadas-a-novos-… ). Agora, é preciso estabelecer algumas reflexões sobre um outro aspecto, o da tecnologia como […]

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