Cooperativas de cuidado podem ser alternativas importantes para o verdadeiro sentido de aging in place?

No site Outras Palavras – http://outraspalavras.net/blog/2017/10/13/comuns-holanda-constroi-com-cuidado/ – a jornalista e diretora do Instituto Procomum,  Georgia Nicolau, publicou recentemente o relato de sua participação em evento na Holanda, no qual uma experiência em especial chama muito a atenção para as reflexões sugeridas neste blog sobre moradia na velhice. Refere-se à existência de uma cooperativa de cuidados, criada a partir de mudanças no sistema de assistência daquele país ao transferir a responsabilidade com saúde pública do governo central para o município.

A cooperativa estabelece um sistema de compartilhamento de responsabilidades sobre o bem-estar e o cuidado, principalmente em bairros e comunidades mais carentes. Descreve os chamados assistentes de vizinhança, profissionais contratados a partir de pré-requisitos como estarem desempregados, serem moradores do bairro, gostarem de pessoas e possuírem experiência de vida. Conta que grande parte dos assistidos são idosos sem filhos ou com filhos que se mudaram para cidades maiores, alguns deles engajados em programas de reforço escolar para crianças em períodos de contraturno, preenchendo o tempo livre e aproveitando expertises.

No Brasil, há similaridades com o Programa de Saúde da Família – PSF, criado em 1994 pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de priorizar as ações de promoção da saúde de forma integral e contínua, pressupondo a criação de vínculos de corresponsabilidade a partir da mobilização das comunidades e dos prefeitos. Foca em doenças crônicas e prevenção através de cuidados pessoais e, até agora, pouco desenvolvia ações com idosos em suas especificidades. Porém, no último dia 14 de novembro, o Jornal do Brasil veiculou uma notícia que pode mudar esse quadro –http://www.jb.com.br/pais/noticias/2017/11/07/proposta-de-politica-de-cuidados-para-idosos-e-colocada-em-consulta-publica/. A iniciativa propõe uma avaliação multidimensional, que depende de uma capacitação efetiva dos agentes da comunidade para o reconhecimento de aspectos biopsicossociais, visto que não somente a doença deva ser tratada, mas também, a vulnerabilidade social possa ser identificada para providências adequadas. Também as demências são pouco conhecidas, fator que poderia ser melhor amparado pelo suporte de vizinhos, garantindo mais qualidade de vida e segurança para essas pessoas.

De acordo com o professor Gabriel Perissé – www.perisse.com.br – a palavra vizinho tem origem no latim vicinus, aquele que é do mesmo bairro ou da mesma aldeia, que remetia ao substantivo vicus, com que se designava uma reunião de casas, um bairro ou uma rua. O pertencimento e as relações sociais com vizinhos são fatores fundamentais no conceito de aging in place, visto que a familiaridade com o lugar e as pessoas torna a vulnerabilidade menos impactante quando se conta com o suporte imediato na moradia. Moramos em unidades habitacionais inseridas num contexto maior, onde vizinhos são muito importantes para a manutenção da harmonia e do bem-estar.

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