Que características ambientais estimulam uma pessoa idosa a morar em cidade à beira do mar?

A maioria das pessoas diria que o clima é o motivo mais importante, mas alguns podem apontar outros mais divertidos, tais como o prazer de caminhar com o pé na areia, a liberdade de vestir-se com roupas confortáveis e informais, a possibilidade de presenciar a movimentação de turistas que se alternam para visitar a cidade frequentando praias ou o simples contato com o mar, reputado como benéfico para relaxar e exercitar-se. De fato, cidades à beira-mar sugerem vivências mais ativas e intergeracionais, com muito sol para reposição de vitamina D.

Mas é preciso considerar que o fato de estar à beira-mar e oferecer praias não diminui a necessidade de enfrentar problemas com o trânsito e os cuidados com a segurança. O que para alguns é o período de relaxar e fazer o que normalmente não podem durante o ano, pode comprometer o sossego de quem mora permanentemente, gerando muitos desconfortos. A afluência de turistas nos períodos de veraneio muda a dinâmica de cidades litorâneas, podendo ser vista como uma perturbação da ordem e do sossego. Além disso, a ideia de frequentar a praia diariamente depende de proteger-se das chuvas torrenciais no verão e de ventanias no inverno. Outra questão, a depender da estrutura disponível nas cidades, é que os serviços não são regulares, comprometendo a manutenção da coleta de resíduos, da iluminação pública e da segurança.

Outro fator que parece eclipsado pelo prazer da praia é a condição de caminhabilidade das cidades. A não ser para quem esteja a poucas quadras dos destinos preferidos, e a depender das características de calçadas e travessias, o acesso à praia, ao comércio e a outros locais de lazer nem sempre está adequado e seguro. Andar longos trechos a pé, sem sombreamento e sobre areia fofa e quente, são fatores desestimulantes para pessoas com baixa mobilidade. Frequentemente encontramos acessos à praia através de escadas que, mesmo com corrimãos, são feitas de modo rústico e com pouca segurança, o que já impede o uso por pessoas que utilizam dispositivos de apoio e podem oferecer riscos de queda. Aos poucos as praias brasileiras começam a ter estruturas mais amigáveis para todos, a exemplo de outras tais como Quarteira, ao sul de Portugal na região do Algarve, que tem rampas entre as calçadas à beira mar e a areia, aproximando todos de modo seguro.

O pensamento romântico de morar junto ao mar por vezes não considera características do lugar ou dos serviços do município, algumas vezes limitados por restrições impostas pelas leis ambientais que visam à preservação de espécies da fauna e da flora. É preciso pesar prós e contras sobre a decisão de mudar para cidades litorâneas na velhice, sob o risco de perceber que as experiências vividas em veraneios não refletem o dia-a-dia real desses lugares que, na maioria dos casos, são cidades como outras quaisquer, com paisagens lindas, clima favorável em algumas situações mas que, ao fim e ao cabo, serão adequadas para morar se soubermos conviver com suas peculiaridades.

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