Dedicar-se a objetivos de modo obsessivo pode justificar desordem, abandono e acumulação?

Às vésperas do fim de 2017, a grande maioria das pessoas está envolvida com os compromissos familiares, planos de férias e organização do tempo livre. A dinâmica do dia-a-dia muda e as rotinas geralmente não podem ser mantidas como de costume. Muitas são as metas para um novo ano mais produtivo, menos estressante e com resultados mais animadores do que o anterior, mesmo que tenha sido um ano de realizações. A perspectiva de renovação sugere planejar a vida para alcançar novas metas, como se a passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro fosse um truque de mágica que transformasse nosso jeito de ser (e das pessoas que convivem conosco…).

No filme Teoria de Tudo (EUA, 2006), dirigido e protagonizado por David de Vos, o filho Doug encontra-se à beira da ruína financeira, o que afeta seu casamento, sendo que o bem-estar da família é seu maior objetivo pois fora abandonado pelo pai Eugene, um físico cuja meta científica é provar a existência de Deus. A aproximação de ambos se dá em função de uma doença cerebral degenerativa que acomete o cientista que, sendo ateu, passa a ser apoiado pelo filho muito religioso. Essa união se fortalece quando ambos passam a trabalhar juntos, transformando a relação parental numa parceria para o crescimento do pai que, isolado, vivia em desorganização e completo abandono pessoal. Assim o filho passa a conhece-lo melhor e compreende sua obstinação em desvendar esse mistério através da ciência.

O que chama a atenção nessa história é o fato de o pai ser incompreendido porque se dedicara tanto às suas metas que parecia, simplesmente, um cientista maluco e sem sentimentos. Mas o filho descobre, em meio ao caos da residência, muitas provas do amor que dedicara à própria mãe, tanto que sua morte tornara o pai descrente da existência de Deus a ponto de entregar o filho à adoção, fato marcante que sempre sugeriu desamor. Mas ele abandonou o filho como a si mesmo, pois vivia em uma casa desorganizada, suja e acumulando papéis e outros resíduos, dedicando-se obsessivamente à busca de respostas para sua hipótese científica.

Dizem que a desorganização aparente apenas revela a desordem interna, quando há carências e o desejo de transpor momentos de dor e insatisfação. Frequentemente ouvimos sobre idosos acumuladores, antissociais e cheios de manias. Suas casas refletem seus ânimos, ou seja: pode haver muita bagunça interior. A presença da família e de amigos fará a diferença, pois é o suporte social que preenche os vazios que são deixados ao longo da vida pelas perdas de pessoas e objetivos diversos. Cabe pensar sobre isso nesta virada de ano: quem devemos visitar neste verão? Que amigos ou parentes deixamos de ter notícias ou as tivemos, mas indicando a necessidade de um “beijinho na testa” para confortar mágoas ou simples falta de fé? Entre as metas para o ano novo podemos pensar em carreira profissional, em hobbies para satisfação pessoal ou ações favoráveis àqueles que amamos e estão próximos. Considerar também o apoio a pessoas que não temos visto pode ser muito compensador.

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