Repensar nosso modo de morar exige coragem para assumir o desejo de ser diferente?

Geralmente ficamos acostumados ao lugar que nos serve de lar e, como referência de conforto e segurança, passamos a mantê-lo inalterado por longos períodos. Falamos sobre isso há duas semanas atrás, destacando que “nos acostumamos a objetos que fazem parte do nosso dia-a-dia e servem a propósitos nem sempre mantidos ao longo da vida”. Mudar pode ser uma necessidade de renovação para que o bem-estar seja mantido, mas também pode significar o desejo de ser diferente, o que nem sempre acompanha as pessoas que se preocupam com o juízo social e, portanto, assumem soluções padronizadas para não provocar estranhamentos.

Lendo o brilhante texto do engenheiro José Passarelli, publicado em 26/01/2018, percebi a importância de refletir sobre o tema quando observamos nosso modo de morar, em especial quando se aproxima a velhice. Em “Seja diferente” ele diz:

“De modo geral, os seres humanos podem ser divididos em duas categorias. Há aqueles que se encaixam e os que não se encaixam. Como todos sabem, a vida é infinitamente mais fácil para os que se encaixam. (…) Se você sempre se sentiu diferente, sua vida terá muito mais sucesso se aprender a ver essa diferença como uma vantagem.”

Ao descrever a saga de ‘Fernão Capelo Gaivota’, demonstra como a busca por objetivos além dos comuns pode oferecer experiências compensadoras. Nesse caso, uma ave diferente que se concentra em aprender a voar melhor, não somente para pescar anchovas. Ao se diferenciar espera reconhecimento, mas pelo contrário, é rejeitada. Tentando ser comum outra vez, não esquece o prazer de voar mais veloz e passando rasante à superfície da água.

“Para todos aqueles que são diferentes, a mensagem de ‘Fernão Capelo Gaivota’ é clara. Não se desculpe por ser assim. Não tente esconder isso. E nunca, jamais deseje não o ser. Se você sabe que é diferente, faz um grande desserviço a si mesmo se não explorar no máximo aquilo que o faz diferente. Se isso significar, como para FCG, ser relegado ao ostracismo pelo grupo, que assim seja. Pelo menos você terá mais tempo para treinar e aperfeiçoar o que quer que seja capaz de fazer que os outros não são.”

Ser diferente e assumir os riscos de ser julgado por isso pode ser o caminho para encontrar o melhor modo de morar na velhice, após explorar possibilidades além das convencionais. Aceitar a tecnologia, desapegar-se de objetos inúteis e experimentar diferentes composições de móveis e objetos certamente torna o habitar mais divertido e prazeroso. O lugar de viver é o cenário da intimidade humana e caracteriza seus desejos e necessidades, mesmo em grupos familiares. As mudanças físicas e intelectuais sugerem o acréscimo de novos componentes de apoio, sejam para circular ou para guardar. E também o despejo de outros, que de algum modo deixaram sua importância no passado. Sejamos diferentes, abertos ao novo e livres de convenções assimiladas sem reflexão e crítica: sejamos modulares, autênticos e felizes.

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