Temos consciência de que a permanência temporária em hotéis configura uma moradia eventual?

Estamos no verão, período no Brasil com férias escolares mais longas e, portanto, com intensos deslocamentos justificados pelo aproveitamento do tempo livre em família. Porém, aqueles que já não têm mais compromissos com crianças e estejam aposentados por terem trabalhado muitos anos, aproveitam esse tempo em qualquer estação, inclusive primavera e outono, quando o movimento turístico considera baixa estação e se dedica ao segmento idoso. A ocupação hoteleira normalmente considera esse público como predominante, porém nem sempre se prepara para ele, pois não basta oferecer apartamentos adaptados para baixa mobilidade: o programa do hotel precisa estar preparado para suas necessidades e desejos.

As residências são organizadas e compostas de acordo com características pessoais de cada indivíduo, o que não ocorre em hotéis, que no máximo podem adotar soluções temáticas que personalizem determinadas unidades. Isso torna a permanência divertida e marcante, tão mais instigante quanto mais cuidado houver com os detalhes. O fundamental em um bom hotel é oferecer camas confortáveis, acolhimento eficiente e boa manutenção nos ambientes, mas o que diferencia e agrega valor ao empreendimento será o cuidado com a imagem que ficará gravada na memória do hóspede que, mesmo não retornando, será responsável por uma divulgação positiva ou não.

Em se tratando do hóspede idoso, o conceito de ambiência torna-se ainda mais importante, pois a permanência em períodos diferenciados pode ser mais longa e, então, o hotel será a moradia temporária, mas não menos estruturada para atender suas expectativas. Corredores precisam oferecer boa sinalização e estar bem iluminados, assim como o lobby deve oferecer assentos altos e com braços para movimentos confortáveis e seguros. Balcões de atendimento devem ser amigáveis, funcionando sempre como apoios e nunca como barreiras. Igual cuidado deve ser tomado em áreas de lazer, assim como o mobiliário das áreas de refeições deve ter espaço e elementos suficientes para a identificação clara dos serviços oferecidos. Os apartamentos compostos com equipamento bem dimensionado e tratados com cores suaves, materiais laváveis e com rouparia de boa qualidade tornam-se aconchegantes, atendendo à funcionalidade, mas também ao prazer na permanência em momentos de privacidade.

Conhecer características do ciclo de vida e as questões biopsicossociais tratadas pela Gerontologia certamente permite melhor orientação para receber idosos, em especial porque a maioria dos hóspedes desse segmento serão lúcidos e com muita autonomia, mesmo que utilizem dispositivos de apoio, tais como bengalas ou cadeiras de rodas. Compreender certas limitações significa oferecer um acolhimento que não o infantiliza e o convida a permanecer, pelas condições de conforto que não o deixarão com saudades de casa. Estamos vivendo mais e melhor, com maior mobilidade e facilidade para viagens: hotéis são moradias eventuais, algumas desejadas para longos períodos quando há disposição para isso.

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