Podemos afirmar que os idosos com autonomia moram sós porque dispensam atenção?

No artigo intitulado “Quanto mais você conversar com seus pais mais eles viverão” (https://www.portalraizes.com/quanto-mais-voce-conversar-com-seus-pais-mais-eles-viverao/), o Portal Raízes oferece uma reflexão significativa quanto ao contexto de idosos que moram sós e, muitas vezes, deixam de ser visitados pelos parentes por uma falsa ideia de que “preferem ficar sós”. Há uma tendência de os compromissos absorverem de tal modo os familiares que, aos poucos, o distanciamento pode causar um estranhamento capaz de tornar as relações mais frágeis e voláteis.

A solidão, este inimigo oculto de todos os dias e de todos nós, pode ser devastadora para o ser humano em qualquer fase da vida, mas na velhice trabalha silenciosamente, toma proporções assustadoras e seus resultados são, muitas vezes, imprevisíveis.

O artigo destaca que a aparente normalidade desse afastamento pode gerar um descompromisso com o cuidado pessoal e com rotinas básicas de sobrevivência, levando a problemas alimentares, ao sono irregular e à falta de perspectiva. A moradia, nesse caso, deixa de ser um abrigo para o corpo e para a alma, passando a representar uma trincheira onde o morador se esconde para se proteger do medo e da insegurança que a solidão pode gerar. Cita a Organização Mundial da Saúde – OMS, que “classifica a solidão como um fator de risco para a saúde maior que o tabagismo e tão grande quanto a obesidade”.

A manutenção dos vínculos com parentes e amigos garante a qualidade dessas relações e a valorização dos sujeitos envolvidos, demonstrada pela frequência desses encontros. Quando os idosos se afastam do convívio em família, “perdem vários momentos da vida de seus filhos e de seus netos.” Morar só não dispensa a atenção, sendo que a necessária comunicação representa o respeito ao território pessoal de cada um e à continuação de uma história escrita a muitas mãos. A moradia representa, aí, o território de compartilhamento das intimidades, quando as conexões se solidificam nos encontros consensuais. O artigo aponta, ainda:

Tente não apenas visitá-los com mais frequência, mas convide-os também para irem à sua casa. Além disso, é muito importante encorajar a comunicação de pessoas mais velhas com pessoas da mesma idade deles. Este é o principal aspecto de lares para idosos e de diferentes tipos de grupos de interesse para pessoas idosas.

A mudança de uma moradia individual ou familiar para outra coletiva traz dois impactos importantes: desfazer-se de elementos da ambiência construída pelo idoso, tanto no âmbito particular como com o seu entorno na vizinhança, e a necessária criação de novos laços com pessoas que trazem perdas semelhantes, exigindo uma construção de rede social com os conviventes, algumas vezes com dificuldades. Familiares e amigos são elos importantes para amenizar essa transição, sob pena de desenvolverem-se sentimentos irreversíveis de abandono.

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