Como são organizadas as moradias de famílias que se reconfiguram na velhice?

Considera-se natural, normalmente, que as novas configurações familiares ocorram por rupturas consequentes de divórcios ou viuvez, em especial na meia idade. Surpreendem notícias sobre casamentos de idosos e geralmente vêm justificadas por histórias românticas de reencontros ou revelações de amores platônicos. Com esse foco, pouco se considera sobre as mudanças da moradia, até porque já haveria a presença de filhos e netos, aumentando a complexidade familiar. A série Grace and Frankie, já na quarta temporada pelo Netflix, aborda essa questão com enredos cômicos, apesar dos diversos dramas pessoais trazidos à cena pelos personagens principais e secundários que formam esta grande família.

Em resumo, dois casais cujos maridos são sócios em escritório de advocacia, conviveram por 40 anos com a intimidade de uma grande família, a ponto de adquirirem uma casa de praia em conjunto. No primeiro capítulo da série, eles marcam um almoço com as esposas e revelam que vão deixa-las, porque são amantes havia 20 anos. Decidiram revelar para viverem plenamente o relacionamento já consolidado e uma das primeiras questões que surge é como passarão a morar. Ambas mudam para a casa de praia, não sem diversos conflitos naturalmente decorrentes de hábitos e estilos diversos. Os filhos, dois de cada casal, tornam-se mediadores nessa transição, mas especialmente preocupados com as mães, aparentemente as mais prejudicadas nesse processo. Laysa Zanetti escreveu no site Adoro Cinema (http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-137290/):

Quando o envelhecimento se torna uma questão para Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lily Tomlin), mas não para Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterston), a série está fazendo uma constatação de que as mulheres são enxergadas como seres fragilizados. Ao seu próprio modo, sem ser óbvia ao ponto de fazer os personagens secundários darem voz às questões (o que muitas vezes soa artificial), Grace and Frankie exalta a fortaleza destas mulheres que encontraram o próprio conforto através da adversidade. O que de fora soa como teimosia, para elas é na verdade um ato de resistência, no melhor sentido da palavra.

Os personagens principais estão na faixa de 70 anos, o que traz em destaque dois aspectos fundamentais a serem assimilados: o preconceito quanto à homossexualidade assumida pelos maridos, difícil até para eles mesmos, e a sensação de que elas ficariam muito sós a partir da separação. Foram reações diferentes: Grace decide procurar um novo companheiro e inicia um relacionamento com um antigo amigo do casal, enquanto Frankie tem dificuldades para continuar suas rotinas sem a participação do ex-marido, pois ainda estão muito ligados e sentem a falta um do outro. Vale o tempo dedicado à série, uma divertida reflexão sobre a longevidade e as transformações da moradia que decorrem das mudanças ao longo do tempo, onde objetos significativos são reinventados nos novos contextos.

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