Quais os impactos que podem ser percebidos pelo idoso que é levado para uma moradia institucional?

Embora a opção pela moradia institucional seja interessante especialmente para o idoso com necessidade de cuidados, nem sempre a decisão é tomada com sua participação. O consenso entre os envolvidos sempre será menos impactante para todos, pois não somente o idoso passará por uma transição que pode ser dolorosa como o familiar pode conviver com uma culpa desnecessária, considerando as vantagens de segurança e conforto para todos.

Na animação “Rugas” (Espanha, 2011), Emílio é um diretor de banco aposentado e viúvo que vive com a família do filho, esse já impaciente com a presença do pai, que apresenta indícios de demência. Encaminhado a um residencial especializado, sente-se abandonado, com a mesma sensação de viver o primeiro dia de aula, quando chegou na sala cheia de outras crianças e pediu pela mãe. Apesar do acolhimento do morador com quem dividirá o apartamento, ao conhecer os ambientes da casa percebe pouca atividade de outros moradores, pois dormem diante da TV que só passa documentários e a piscina térmica está vazia e trancada. Ao mesmo tempo, encontra pessoas com comportamentos confusos ou apáticos, típicos da Doença de Alzheimer, mas compartilha as refeições em uma mesa com mais três idosos além do companheiro de quarto, pessoas com quem conviverá muito tempo e com as quais compreenderá os diferentes motivos de estarem ali.

No Natal todos recebem visitas dos familiares, com sentimentos fugazes sobre o antigo convívio. Ao perceber-se diagnosticado com Alzheimer, fica agitado e a piscina torna-se seu lugar de liberdade, pois nadava regularmente na juventude e isso o revigora. O parceiro passa a ajuda-lo para que não vá para o andar de cima, temido por ser o lugar de cuidado contínuo e considerado o final da permanência. Para se sentirem livres, alugam um carro conversível e saem à noite, mas a demência de Emílio, único que dirige, provoca um acidente que piora a sua situação, indo finalmente para o andar de cima, mas com a parceria fiel do companheiro de quarto, que passa a cuidá-lo.

Retrata muitas situações que podemos encontrar nas atuais moradias institucionais: idosos que são levados sem opinarem, a necessidade de limitarem-se os ambientes em função da desorientação, cônjuges que moram com idosos demenciados para cuidá-los, pouca presença de familiares, conflitos provenientes da falta de memória e da sensação de perda que muitos experimentam ao não encontrarem seus pertences. A equipe de cuidado presta serviços profissionais com o esmero da técnica e da experiência, mas cada indivíduo terá suas especificidades e características pessoais. Regras são necessárias para que o serviço funcione e podem incomodar pela limitação que impõem, mas sem elas se instalaria o caos, incorrendo em riscos de incidentes graves, os mesmos que estimulam as famílias a procurar o serviço profissional. Enfim, um ciclo vicioso, a ser repensado para que as decisões sobre a moradia atendam cada indivíduo da melhor maneira possível.

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