Em que medida a intergeracionalidade em moradias institucionais pode contribuir para a qualidade de vida dos idosos moradores?

Muito se apregoa sobre os benefícios da convivência produtiva entre gerações, visto que se esgotaram críticas à falta de respeito dos mais jovens, o que somente demonstra o desequilíbrio ético da nossa sociedade, independentemente de idade e condição sociocultural. Todos têm algo a aprender e a ensinar, seguindo a máxima de que quanto mais aprendemos, mais se percebe que nada sabemos. Habilidades e competências nem sempre são aproveitadas em todo seu potencial, especialmente na velhice, quando a aposentadoria afasta o indivíduo de atividades formais. Por outro lado, perder objetivos diários acaba por acomodar, acelerando perdas cognitivas e de mobilidade.

O filme “Escrevendo uma Nova Vida” (EUA, 2011) apresenta uma história delicada sobre relações possíveis entre gerações, com ênfase no aproveitamento dos talentos. Sam é o codinome de um idoso morador em um residencial, e ele sempre usou palavras fortes para se expressar, sendo duras muitas vezes. Arrependido, resolve escrever cartas diariamente para pessoas que escolhe pela lista telefônica, com mensagens encorajadoras para que vejam a vida por óticas positivas. Além disso, escreve cartões com mensagens mais curtas e entrega em espaços públicos, àqueles que considera necessitados de palavras positivas. Maggie é uma adolescente com carências, sem a presença do pai e com a mãe sempre trabalhando muito para seu sustento. Sonha ser cantora e passa por frustrações, mas a carta que recebe a faz procurar o misterioso amigo, com quem aprende que os bilhetes são seu motivo para sair de casa, além de procurar o equilíbrio entre dar e receber. Ele a estimula a desenvolver seu talento musical para fazer o bem, aproximando-a de outros moradores da instituição que se distraem cantando. O coral que se forma para homenageá-lo no aniversário a transforma, mas a morte do amigo é o desfecho definitivo para que acredite em sua capacidade e se apresente em público.

A história de Sam e Maggie demonstra que ambos tinham necessidade de afeto, alcançando crescimento pessoal ao superarem culpas e erros em relacionamentos anteriores. O mais interessante dessa história é a apresentação de uma moradia institucional com moradores engajados em atividades produtivas, ainda mais animados quando a personagem jovem adere ao grupo. Pelo mundo temos notícias sobre universitários que moram em residenciais em troca de trabalho e companhia para os idosos, pré-escolas que mantêm atividades comuns com crianças e voluntários jovens que levam seus talentos artísticos para os ambientes institucionais. A simples troca de conhecimentos já cria objetivos importantes para o preenchimento do tempo livre e para o exercício físico e cognitivo, sendo oportunidade de crescimento para todos os envolvidos. É preciso reconhecer que essas moradias são alegres e produtivas se houver ambiências construídas pelos diversos atores sociais, independente de idade, escolaridade e situação socioeconômica.

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