Quanto de otimismo pode fazer a diferença para que idosos mantenham relacionamentos positivos?

A imagem mais recorrente que se tem de idosos é que estejam cansados da vida e queixosos em relação a perdas, manifestando saudades da juventude e criticando as modernidades e as atitudes dos mais jovens. Porém, recentemente a mídia tem descortinado o real comportamento desse segmento nos últimos anos, apresentando relatos do envelhecimento mais ativo pelo esporte ou pela alimentação saudável, além do crescente interesse por encontros sociais em atividades diversas. Encontrei nas palavras da psicóloga e professora de Gerontologia Deusivânia Falcão, publicadas na sua página pessoal em 27 de junho passado, sua postura diante de uma vida dinâmica e repleta de projetos:

“Sou uma otimista realista e esperançosa. Ter propósitos de vida com foco na positividade é um bom caminho para construir vínculos saudáveis, fortalecer amizades, exercer papéis comprometidos com o impacto social e comunitário, bem como, favorecer atitudes (crenças, sentimentos e comportamentos) em prol de um mundo melhor.”

Sendo ela uma jovem profissional e mãe de duas lindas gêmeas, desenvolve pesquisa em pós-doutorado nos Estados Unidos com garra e alegria, vencendo desafios diários neste projeto que certamente a devolverá ao curso de Gerontologia ainda mais preparada para estimular os novos profissionais em formação. Sabe-se, já, que uma vida produtiva culmina em uma velhice satisfatória e repleta de memórias a serem compartilhadas, especialmente com as gerações seguintes, pois histórias pessoais com objetivos atingidos servem de modelo mesmo que com alguns fracassos, pois eles fazem parte da trajetória de vida de qualquer pessoa.

A construção de vínculos saudáveis é uma via de mão dupla: aquele que deseja ser admirado deve admirar, assim como o respeito só existe quando ambos são capazes de reconhecer, no outro, suas capacidades inerentes. Para isso, ser modular é estar flexível para o novo, o diferente, o desafio da mudança. O que a professora Deusivânia destaca como exercício de papéis comprometidos com o impacto social e comunitário é, antes de tudo, o reconhecimento de que todos transformamos vidas, tanto no papel de pais ou educadores formais, mas principalmente na convivência social que estabelecemos diariamente com colegas, vizinhos e participantes anônimos do mesmo espaço urbano.

A moradia é o território sagrado de cada ser humano e configura o seu lar, mesmo que transitoriamente. Pensá-la como o lugar de memória para a criação da própria história extrapola os limites da porta de entrada e se estende aos percursos onde a presença determina atitudes que permitam uma convivência rica em relacionamentos positivos. As antipatias existirão, mas podem ser amenizadas quando se superam os rancores. Ser otimista e ter esperança em um mundo melhor torna nosso território mais feliz, o que pode garantir uma vida mais tranquila na velhice.

2 comments on “Quanto de otimismo pode fazer a diferença para que idosos mantenham relacionamentos positivos?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.