A capacidade de resiliência ao longo da vida dificulta nossa percepção de conforto na velhice?

Cada pessoa define seu território pessoal conforme considere mais confortável, mas sempre dependendo das condições ambientais, econômicas e sociais que limitam a composição de elementos. O ambiente aqui é visto pela perspectiva da qualidade construtiva da moradia e das interferências climáticas, sonoras e de higiene. A capacidade financeira também incide em quanto de investimento é possível fazer para atingir as metas de conforto desejadas e, finalmente, o contexto familiar definirá se é possível garantir decisões que caracterizem ambientes personalizados. Portanto, geralmente os indivíduos devem se adaptar aos espaços que definem seus limites de vida, mas também, dependem de quanta autonomia sejam capazes de conquistar ao longo desse período.

O engenheiro José Passarelli, frequentemente compartilhando reflexões muito úteis pela fundamentação que acompanha seus escritos, publicou na sua página pessoal sobre “O cérebro incompleto”, em 14/07/2018:

O cérebro humano nasce incompleto. O bebê da espécie humana é o mais frágil dos filhotes entre todos os mamíferos. (…) Nascemos totalmente dependentes das pessoas ao nosso redor. Tem gente, aliás, que leva isso muito a sério e permanece na casa dos pais por muito tempo depois dos cabelos brancos começarem a surgir.”

O ciclo de vida humano parte de um período de longo aprendizado para alcançar a independência, dependendo também do desejo de conquista-la a partir da adolescência. Em alguns casos, a infância é roubada pelo abuso em diversas circunstâncias e o amadurecimento pula etapas importantes no planejamento de metas para a construção de uma vida produtiva para o atendimento de expectativas até a velhice. Então, destaca-se a vantagem de aprender tudo, desde caminhar até comer sozinho, sempre dentro dos limites ambientais que nos cercam, considerando que os animais irracionais têm capacidade para viverem sós com mais rapidez, mas têm dificuldades de adaptação em outros sistemas ecológicos.

“Em contrapartida, seres humanos têm uma grande capacidade de adaptação. Conseguimos sobreviver nos mais variados ambientes ecológicos. (…) Isso é possível por que nascemos com o cérebro ‘incompleto’ – que vem com menos coisas pré-programadas, permitindo moldar-se de acordo com as experiências às quais é submetido.”

O ser humano desenvolve resiliência e é capaz de adaptar-se a diversas condições ambientais, econômicas e sociais, mas essa flexibilidade pode tornar difícil manter objetivos previamente definidos. Mesmo sabendo que nem todas serão atingidas, as metas relativas ao conforto na velhice deveriam ser perseguidas ao longo da fase adulta, de modo a garantir um contexto de moradia de acordo com desejos e necessidades particulares de cada indivíduo. Perceber isso apesar dos eventos incontroláveis que acompanham o ciclo de vida pode resultar em uma velhice bem acomodada em moradias mais adequadas e confortáveis, para as quais ainda faltam alternativas no Brasil.

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