Idosos em moradias institucionais podem encontrar motivações estimulantes quando se dedicam a trabalhos voluntários?

Falar sobre moradias institucionais no Brasil envolve considerar preconceito, ainda muito arraigado no universo familiar brasileiro. Encaminhar um parente idoso a uma Instituição de Longa Permanência – ILPI – representa abandono para alguns, solução de cuidado para outros, mas geralmente pouco se considera sobre a opinião do próprio indivíduo em mudança. Ele precisa adaptar-se a um lugar e grupo com os quais não está familiarizado e, portanto, deveria estar pronto para vivenciar esta transição. Nem sempre é assim…

E por que se tem essa ideia de que haverá tristeza, abandono e inutilidade? Normalmente há mais programas de atividades do que se teria sozinho em casa, assim como as oportunidades de novos vínculos pode criar outros objetivos relacionados a essa convivência. Mas o que mais tem demonstrado efeitos positivos e novos rumos a se considerar no compartilhamento dos serviços profissionais de cuidados adequados à velhice é, sem dúvida nenhuma, a chance de desenvolver habilidades em trabalhos voluntários.

No site O Segredo – https://osegredo.com.br/senhor-de-86-anos-tricota-gorrinhos-para-bebes-prematuros-de-uti/ – encontramos a história de Ed Moseley, um americano de 86 anos que tricota gorrinhos para bebês prematuros da UTI neonatal do Hospital Northside, em Atlanta, em seu tempo livre.

“Moseley vive em um lar de idosos, no estado americano da Georgia. Quando o lar abriu um programa de extensão para costurar gorrinhos para recém-nascidos, ele não pensou duas vezes em se inscrever, mesmo sem nunca ter tricotado antes na vida. (…) … atualmente já fez mais de 350 gorrinhos e se diz muito feliz por poder ajudar outras pessoas enquanto também encontra uma nova ocupação para si mesmo. (…) … além dos gorrinhos, ele também ajudou a montar kits de higiene pessoal para mulheres e crianças carentes, além disso tricota gorrinhos para aqueles que pedem, sem cobrar por isso. Inspirados pela atitude de Moseley, muitos colegas residentes e a equipe do asilo o ajudaram em seu projeto.”

Há algum tempo atrás conheci outro projeto muito significativo em um residencial da rede Átria, localizado em Nova Iorque. Os moradores de lá foram ligados a universidades e escolas de música, artes plásticas e teatro, além de haver muitos estrangeiros radicados nos Estados Unidos em função dessas ocupações. Foram propostas sessões de conversa em francês, alemão, espanhol, mandarim e hebraico, definidas a cada dia da semana em horários programados. Desse modo, amigos, outros moradores e até seus familiares, incluindo adolescentes, sentam-se à mesa para treinar. Cada habilidade, assim, é valorizada e aumenta o senso de pertencimento, preenchendo possíveis vazios da inutilidade. Quando se considera a mudança como uma oportunidade, pensar em alternativas de moradia na velhice onde o idoso se reinventa pode ser o caminho para que a longevidade se mantenha acompanhada de autorrealização e felicidade.

2 comments on “Idosos em moradias institucionais podem encontrar motivações estimulantes quando se dedicam a trabalhos voluntários?

    • Em moradias institucionais há a chance de atividades coletivas propostas pela equipe ou por membros externos, até mesmo o engajamento em ações em prol dos próprios pares. Especialmente porque todos temos algumas habilidades que foram desenvolvidas ao longo da vida ou que podem estar latentes e prontas para serem desenvolvidas, por que não estarmos prontos para aprender ou ensinar? São oportunidades para a reinvenção…

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