Quais experiências podem sugerir boas soluções para a moradia de idosos solitários?

Falar de solidão envolve entender o contexto da pessoa solitária, os motivos pelos quais reporta sentimentos a respeito dessa condição e, fundamentalmente, respeitar suas decisões sobre as estratégias adotadas para buscar a felicidade. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG pontuou que, para muitos, velhice lembra solidão e abandono. Mas a reportagem apresentada pelo programa Globo Repórter de 21 de setembro de 2018 coloca outras questões significativas para uma reflexão sobre o tema.

Trouxe afirmações tais como a da estudante universitária, que se sente só porque mora em um edifício com muitas unidades, mas vive sem ver os vizinhos, apenas escuta suas conversas. Houve a constatação de que a conexão que falta nas ruas, sobra nas redes sociais, o que exalta a transitoriedade das relações evidenciada pelo possível bloqueio de “amigos virtuais” que “curtem”, mas, necessariamente, não se importam com o outro. Nesse sentido, uma pesquisa na Inglaterra concluiu que os jovens têm o triplo de chance de se sentirem mais sós do que idosos. Ter essa consciência pode evitar uma velhice de tristeza, desde que construam ao longo da vida a condição que queiram viver no futuro.

O programa relatou a experiência do grupo de professores da Unicamp, que se reuniu para criar a Vila ConViver, ainda em projeto, mas já sensibilizando seus participantes à convivência nos momentos de planejamento do projeto, em oportunidades de lazer e nas decisões sobre a mudança dos modos de vida individuais. Um depoimento relata que você vai ficando velho, vai ficando sozinho, o que motiva a busca por uma solução de idosos em comunidades, compartilhando o futuro ao reestabelecer o senso de vizinhança que se perdeu em grandes cidades. Na Inglaterra foi criada a Secretaria da Solidão, constatado o aumento dessa condição e suas consequências indesejadas, com experiências tais como a criação de Conectores Comunitários, profissionais de uma pequena cidade que se voluntariam para promover a reintegração de cidadãos que apresentem comportamentos aparentemente tristes e isolados, proposta que comprovadamente diminuiu os custos com saúde pública.

A promoção de atividades intergeracionais entre crianças de creches e idosos institucionalizados demonstra benefícios a todos, já que os pais jovens estarão muito envolvidos com o trabalho e os velhos têm mais tempo, enriquecendo as trocas na convivência com as crianças. A reportagem também apresentou a “síndrome do ninho vazio”, que acomete especialmente as mães que veem filhos assumindo seus projetos de vida em outras moradias, seguindo a própria vida e deixando a casa vazia. Solidão, enfim, é não ter a quem recorrer. Portanto, o sujeito que decide viver só não é, necessariamente, infeliz e isso precisa ser respeitado. Se ele sabe que haverá um suporte social ao depender de outros para superar dificuldades, pode definir um território de vida diária onde caiba apenas ele, especialmente na velhice.

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