Desenvolver hábitos compulsivos traz quais consequências para os idosos que se tornam solitários?

É amplamente conhecido o efeito funesto da compulsão de qualquer natureza, seja por jogo, álcool, comida ou compras. Além das perdas financeiras, outros efeitos podem agravar ainda mais o quadro doentio de desejar, a cada dia mais, alcançar um objetivo que nunca chega. Famílias se desintegram, empresas são arruinadas e a infelicidade só aumenta, mas a dificuldade em abandonar hábitos que se tornam nocivos torna-se o foco, criando um desejo de superação que pode até se transferir para outro hábito compulsivo ainda pior. No curta metragem “The Last Knit” (Finlândia, 2005), de Laura Neuvonem, a personagem que o protagoniza retrata essa complexa trama das compulsões. Os comentários a seguir refletem sobre essas consequências (https://www.contioutra.com/nas-tramas-da-compulsao-reflexoes-sobre-curta-metragem-the-last-knit/):

Quantas vezes nos vemos “presos” ou condicionados a um comportamento, atitude, pensamento ou sentimento sem que consigamos abrir mão, mesmo que ele não nos traga sentido à existência ou nos proporcione recompensas positivas para a vida?

Muitos idosos se tornam solitários por não poderem contar com algum suporte social, seja de familiares ou de amigos. Mas o medo da solidão pode concentrar a atenção em determinados hábitos que canalizam os esforços para algum resultado que nem sempre preenche adequadamente o tempo disponível, que poderia ser usado para encontros mais produtivos. O luto ou a fragilidade física podem tornar o sujeito menos capaz de enfrentar a continuidade da vida, afastando-o de relacionamentos possíveis em função de compromissos priorizados a tal ponto de se tornarem vícios.

É exatamente assim que nos colocamos diante de uma atitude compulsiva. Nosso mundo se volta apenas para a necessidade interna relacionada ao impulso, em detrimento de qualquer outra necessidade, até mesmo as de sobrevivência.

Sentir-se só angustia e pode deprimir, provocando o desejo de encontrar uma “válvula de escape” que amenize essa sensação de inutilidade. Assim, muitos passam a limpar a casa de modo exagerado, tornando-se dependentes de uma assepsia desnecessária e afastando a presença de pessoas que podem “desorganizar” o ambiente doméstico. Evitar a solidão envolve estar atento a quem oferece atenção, até mesmo em pequenas ações, tais como as que acontecem em compras rotineiras e nos percursos empreendidos na vizinhança. Mas também cabe à família e aos amigos o compromisso de se colocarem disponíveis, seja para uma simples troca de sorrisos ou para relacionamentos mais intensos, que se tornem necessários para a vida, tanto quanto a organização do espaço pessoal e a distração, calibrados de modo saudável e prazeroso. Afinal, morar também é conviver, especialmente com pessoas queridas, que serão responsáveis pelo verdadeiro sentimento de pertencer.

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