Até quando as moradias institucionais serão as últimas (e menos desejadas…) opções de conforto e segurança?

Ao pesquisar sobre espaços de residenciais para idosos, é possível encontrar soluções variadas funcionando em contextos diversos. Cada cultura apresenta modelos para acomodar seus velhos, introduzindo inovações tecnológicas e demonstrando modos diversos para integrá-los na comunidade. No Brasil tem havido iniciativas que procuram oferecer opções que atendam à crescente população de idosos cada vez mais longevos e o decrescente contingente de cuidadores disponíveis para atender seus familiares de modo adequado, mas ainda enfrentam o preconceito profundamente arraigado na sociedade. A assistente social Karina Marques de Freitas oferece sua experiência na fiscalização em empreendimentos situados no município de São Paulo (https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/ilpis-gaiolas-disfarcadas-de-protecao/):

“Historicamente, as Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs) trazem a marca do confinamento social e afetivo que prepara para a morte; recebem o estigma da prática do abandono e do acolhimento de um problema que incomoda; carregam preconceitos e o caráter de depósito.”

Desde o modo como expressam seus motivos (única alternativa, falta de tempo, dificuldades de relacionamento) até os termos como se referem às moradias institucionais (asilo, casa de repouso, clínica geriátrica), muitos veem esta como um castigo e, ao mesmo tempo, uma esperança de “cura”. Como velhice não é doença, ficam de lado os bônus resultantes da experiência, que desenvolve habilidades e competências a serem aproveitadas por todos. Além disso, a heterogeneidade da velhice requer condições que aumentem o conforto, visto aqui como acessibilidade, atenção e, especialmente, dignidade. Portanto, um projeto arquitetônico adequado considerará espaços compatíveis com a movimentação física e com a qualidade dos encontros, possibilitando ambiências positivas.

“… mais complexo ainda que falar sobre a senescência (envelhecimento normal) é falar sobre a senilidade (envelhecimento patológico). As pessoas idosas cujo processo de envelhecimento ocorreu de forma mais acelerada, cujo corpo e/ou a mente debilitou-se, tornando-os fragilizados e necessitados de uma atenção especial, requerem ambientes seguros e cuidados específicos.”

As moradias institucionais serão as últimas e menos desejadas opções de conforto e segurança até que ofereçam espaços e serviços menos hospitalares e mais residenciais, mesmo com o suporte técnico necessário. Isso dependerá de o lugar ser aprazível, mas também de mudanças nas atitudes de todos os atores sociais que convivem nesse contexto. Que os moradores e familiares compreendam que terão melhor assistência, que os colaboradores ofereçam atenção mais humanizada e que a vizinhança acolha de modo a integrá-los sem preconceitos, caracterizando uma ambiência com dignidade. Talvez assim a velhice seja vista como de fato é, a fase de vida que continua mais frágil, mas também mais experiente.

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