Como caracterizar uma habitação saudável para envelhecer no mesmo lugar ao longo da vida?

O conceito de Aging in Place estabelece o princípio de envelhecer no lugar ao longo da vida, não necessariamente no mesmo imóvel, mas na mesma vizinhança, de modo a manter a familiaridade mesmo com as transformações que naturalmente acontecem no bairro. Muitos permanecem na casa que adquiriram e, se pensarmos que os jovens adultos tendem a buscar posições de trabalho para exercerem suas competências desenvolvidas no período escolar, raramente seria garantida a permanência dos descendentes. Assim, não raro encontram-se idosos em imóveis sem manutenção adequada, quer por falta de recursos ou, mesmo, por não julgarem necessário atualizar os sistemas da casa, o que pode acarretar problemas em função do desgaste dos materiais.

Em Baltimore, a iniciativa de uma organização sem fins lucrativos oferece apoio para tornar os ambientes mais saudáveis (https://www.wbaltv.com/article/aging-in-place-offers-support-to-seniors/25664789). O objetivo do grupo é oferecer às crianças orientações e apoio para uma vida saudável, considerando a importância da moradia como elemento fundamental para a saúde em todos os seus aspectos biopsicossociais, o que motivou o programa Aging in Place.

“Trabalhamos por mais de 30 anos na cidade de Baltimore em prol da habitação saudável, de modo a que as crianças estejam em boas condições para aprender em salas de aula. 60% das casas têm adultos envelhecendo. À medida que melhoramos a habitação para as crianças, igualmente o fazemos para idosos, para que possam viver em sua casa e evitar a moradia assistida à medida que ficam mais velhos.”

Além da dedicação às crianças, oferecem apoio a pessoas com mais de 55 anos, através de serviços gratuitos para garantir a boa condição da moradia. Vão desde reparos de telhado e sistema de aquecimento até a organização de viagens, prevenção de quedas e qualidade do ar dentro de casa. Assim, certamente reforçam o espírito de comunidade, visto que a solidariedade em prol da qualidade de vida passa a ser um compromisso de todos que a recebem e disseminam para uma vida saudável. Com o foco na continuidade das ações, a organização que as empreende torna o processo flexível e constantemente em aprimoramento, pois a cada nova intervenção haverá igualmente novas demandas, o que caracteriza a heterogeneidade humana.

Para garantir uma habitação saudável que permita envelhecer no mesmo lugar ao longo da vida não bastam intervenções específicas em construção e funcionamento dos sistemas, mas também importam os modos de apropriação dos espaços para que haja segurança e conforto. Do mesmo modo, a interação com a comunidade, seja com grupos específicos ou através do engajamento em atividades públicas, traz a sensação de pertencimento, tão necessária para a manutenção da autoestima. Envelhecer no lugar significa, antes de tudo, estar engajado para adquirir conhecimento, mantendo a qualidade de vida. Morar é estar seguro, confortável e, principalmente, feliz.

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