Existe um preconceito relacionado à perda de capacidades físicas e cognitivas na velhice, levando a supor que o idoso sempre volta a se comportar como criança. Ocorre que o envelhecimento é um processo individual, resultando em condições diversas na fase final da vida. Com a longevidade aumentando, muitos ficam surpresos com o potencial criativo e laboral de pessoas mais velhas, mas ainda há os que infantilizam aqueles que passam a morar em residências especializadas ou aderem a centros dia, mantendo-se com as famílias no período da noite e nos finais de semana.
Em janeiro deste ano, a escritora Fabíola Simões publicou uma reportagem interessante (https://www.asomadetodosafetos.com/2019/01/creches-para-idosos-comecam-a-surgir-em-cidades-como-rio-de-janeiro-e-agradam-moradores.html) a respeito de centros dia que funcionam no Rio de Janeiro , sendo muito importante estimular a convivência entre idosos e a criação de vínculos significativos, informando sobre meios de realizar esses encontros. Ressalva-se a necessidade de esclarecer que o termo “creche”, apesar de significar ninho e proteção, está muito relacionado com crianças, sugerindo que idosos voltam à infância, o que não é verdade. Em outro momento usa o termo “clínica”, destacando que vovôs e vovós vão participar das atividades sob a supervisão de uma equipe composta de nutricionista, psicóloga, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional.
Os centros dia são equipamentos que já estão presentes no cenário brasileiro e oferecem exatamente esse serviço de atividades que estimulam a convivência social, além de promoverem o aprimoramento cultural e até o exercício cognitivo. Também o termo “asilo” já não define o que são as atuais Instituições de Longa Permanência para Idosos, moradias assistidas que já configuram alternativas importantes para indivíduos que decidem por essa alternativa por necessitarem de auxílio e cuidados em algumas atividades da vida diária.
A psicóloga Simone Manzaro publicou em 2017 no Portal do Envelhecimento (https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/infantilizacao-da-pessoa-idosa/):
É importante quebrar esse estigma de que todo idoso é alguém dependente, sem autonomia e que não tem direitos e deveres. (…) Ao infantilizar a pessoa idosa criam-se alusões e falsos parâmetros acerca do processo de envelhecimento, que pode determinar a forma como essas pessoas são e serão tratadas.
Alegria e prazer pode sugerir comportamentos semelhantes aos das crianças, indivíduos livres de condicionamentos e com muita espontaneidade. É preciso estar atento ao que é expressão de liberdade, deixando de lado a exigência de que o idoso deve manter atitudes de tristeza e introspecção. Aliás, a experiência permite decidir sobre o que de fato vale a pena: a alegria será sempre bem-vinda, definindo o melhor meio de relacionar-se com as pessoas amadas.


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