A perspectiva de restar pouco tempo de vida justifica a falta de investimento na moradia?

Muitos idosos veem-se obrigados a mudar o ritmo de vida quando há maior fragilidade, assim como criam apego aos objetos que compõem suas moradias. Acabam por acostumar-se com elas tal como são, despreocupando-se em prevenir desgastes e deixando de atualizar sistemas para que continuem funcionando bem. Frequentemente ouvimos justificativas para a falta de manutenção em seus imóveis, seja por questões financeiras ou por puro desânimo de providenciar os consertos necessários.

No primeiro caso, o desconhecimento sobre pequenos reparos ou troca de dispositivos que reativam os equipamentos da casa, acaba por postergar as iniciativas preventivas, tornando o conserto imprescindível quando não há mais como utilizar, o que acaba ficando mais caro. Por exemplo, hoje existem muitos eletrodomésticos e imóveis mais antigos têm poucas tomadas. A solução de usar tomadas suplementares, conhecidas como benjamins, acaba sendo adotada e aumenta o risco de curtos circuitos pela sobrecarga no sistema elétrico. Ouve-se sobre incêndios provocados por pequenas faíscas de ventiladores próximos a cortinas porque, muitas vezes, são percebidos tarde demais. A fiação de uma residência é calculada de acordo com a quantidade de aparelhos ligados e é necessário criar novas tomadas a partir do painel de distribuição de energia, um investimento pequeno considerando a segurança que oferece.

Quanto ao desânimo para intervenções preventivas, especialmente quando se percebe o desgaste em pinturas, encanamentos e fiação da moradia, as justificativas vêm sempre acompanhadas de um lamento relacionado ao fim da vida, pelo avanço da idade e pela perda de algumas capacidades. Porém, se não se sabe quando será a morte, o que leva a esse desalento? O poeta Geraldo Cunha, em seu blog Divagações & Pensamentos, interpreta o ato de esperar (https://divagacoesgcc.wordpress.com/category/tempo/).

A espera nos lembra que o tempo pode estar contra ou a nosso favor. É uma questão de perspectiva.

Idosos ativos veem o tempo a seu favor, aproveitando para visitar, viajar, passear, conversar, namorar… A perspectiva, nesse caso, considera a prioridade de viver o melhor possível, mesmo com algumas fragilidades ou capacidades diminuídas. Há muito se sabe que valorizamos o que perdemos e compensamos experimentando novas sensações para dar outro sentido à vida. Pessoas submetidas a regimes limitados de liberdade tornam-se aventureiras e não dão satisfação a mais ninguém, assim como os que são obrigados a evitar determinados alimentos procuram alternativas para manter o prazer à mesa. A perspectiva de restar pouco tempo de vida justifica ainda mais que haja investimento na moradia, pois conforto e segurança traz o alento que todo indivíduo necessita para sentir-se parte ativa de uma sociedade. A moradia é o ninho, o porto seguro, o lugar escolhido para ser seu. Mantê-lo com qualidade é o primeiro passo para contar com o tempo a seu favor.

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