Até que ponto os idosos que circulam nas grandes cidades podem sentir-se menos sós entre tantos?

Cidades muito populosas podem oferecer sensações antagônicas: se por um lado oferecem oportunidades variadas e a liberdade de expressão protegida pelo anonimato, por outro há a competição pelas vagas que permitem a sobrevivência digna e a opressão de sentir-se só em meio à massa desconhecida. De qualquer modo, viver sem conexões pode levar à solidão, mesmo ao lado de outras pessoas que igualmente se sentirão sós.

Em reportagem de Juliana Domingos de Lima, redatora do Nexo Jornal (https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/12/15/Como-a-arquitetura-urbana-pode-combater-a-solidão), o isolamento social crônico tem se tornado uma epidemia mundial, o que certamente afeta o envelhecimento dos cidadãos que circulam no meio urbano ao longo da vida produtiva.

A relação pode parecer contra-intuitiva: viver em um ambiente mais populoso deveria aumentar a probabilidade de interação social. Embora a hipótese possa ser verdadeira para as interações superficiais, são as mais profundas e significativas que fazem diferença para a saúde mental, e estas podem ser mais raras em cidades.

Já são amplamente conhecidos os efeitos de um envelhecimento saudável para uma velhice bem-sucedida. Ter autonomia para escolher os melhores meios para os deslocamentos, buscar momentos de lazer em equipamentos variados e apropriar-se do espaço urbano disponível para acessar os locais de destino desejados são ações que não prescindem de buscar interações construtivas, capazes de ampliar redes sociais positivas. Também oferecem suporte para sentir-se pertencente ao lugar, diminuindo os riscos de sofrer com os impactos gerados pelos complexos efeitos da dinâmica urbana.

Crescer numa cidade pode aumentar as chances de alguém desenvolver distúrbios mentais como esquizofrenia, depressão e ansiedade crônica. E a principal razão para isso é a condição chamada por pesquisadores de “estresse social”: a ausência de laços e coesão social entre as pessoas nos bairros onde vivem.

Idosos apontam o interesse em frequentar praças e ambientes públicos onde possam usar seu tempo livre com atividades culturais e recreativas, assim mantendo laços antigos ou criando novos nos encontros possíveis. No entanto, calçadas irregulares, travessias inseguras, falta de sinalização e de mobiliário urbano adequado, além de áreas verdes limpas e bem iluminadas, limitam o uso e dificultam a caminhabilidade, desmotivando iniciativas nesse sentido.

Enriquecer os espaços públicos de forma a amenizar a solidão não irá eliminá-la completamente das cidades, mas pode fazer com que seus habitantes se sintam mais engajados socialmente e confortáveis com o entorno…

Cidades devem ter espaços que possibilitem a conectividade, necessária para a criação de oportunidades que incentivem encontros significativos e intergeracionais, ricos em elementos atraentes e mantidos adequadamente. A arquitetura urbana é, de fato, um fator fundamental nessa busca.

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