O que um idoso que mora só pode esperar de políticas públicas que pretendam oferecer suporte ao seu bem-estar?

O Estatuto do Idoso define que a responsabilidade do cuidado de idosos é da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público para assegurar seus direitos fundamentais. Preferencialmente, devem estar próximos de um suporte social que lhes garanta atenção, o que leva à decisão de institucionalizar nos casos em que seja preferível em função do flagrante isolamento a que muitos se submetem. O distanciamento da família, a dificuldade em se relacionar com vizinhos e a autoimposição de rotinas nem sempre saudáveis pode resultar na perda de qualidade nos cuidados pessoais.

Na peça teatral “Visitando o senhor Green”, escrita em 1996 pelo americano Jeff Baron, um idoso de 86 anos, vivido por Sérgio Mamberti, vê-se obrigado a conviver com Ross, um executivo que quase o atropelou em uma rua de Nova Iorque e foi condenado a visita-lo semanalmente por seis meses. Esse personagem, vivido por Ricardo Gelli, encontra um judeu viúvo numa rigorosa rotina sem companhia e poucos cuidados de limpeza, além de pouca comida, justificada por desconsiderar a possibilidade de adoecimento e morte. Sente falta da esposa, a responsável por manter a casa e cozinhar, e diz não ter filhos, o que ao final se mostra resultado do desgosto que Green sofrera quando a filha se casa com um não judeu. A cada visita, novos fatos acontecem, tais como uma queda por circular no escuro e encontrar objetos jogados no chão, ter desligado o telefone por não querer se comunicar com a filha e não conhecer os vizinhos, embora a esposa falecida tivesse um relacionamento com eles. Sente sua privacidade invadida, a partir das informações preliminares de profissionais da assistência social que já o atendiam.

De repente, pessoas que não conheço… juiz, assistente social e você (o motorista que quase o atropelou) decidem dizer como eu devo viver…

Com a presença do visitante, inicialmente muito indesejado, algumas transformações acontecem, a começar por uma alimentação mais saudável e a eliminação de objetos inúteis acumulados pela casa, culminando na reaproximação com a filha, da qual nem conhecia os três netos. Fica clara a necessidade de intervenções que favoreçam mudanças positivas, o que ressalta a importância do PAI – Programa Acompanhante de Idosos da Prefeitura Municipal de São Paulo. Disponibiliza a prestação dos serviços de profissionais para apoio e suporte nas Atividades de Vida Diárias (AVD’s) e para suprir outras necessidades de saúde e sociais.

É um tipo de cuidado domiciliar biopsicossocial a pessoas idosas em situação de fragilidade e vulnerabilidade social…

Tal como na história encenada no teatro, há idosos que se afastam do convívio social e acabam por assumir riscos que não podem controlar. A presença de outras pessoas, para conversar e observar, pode antecipar problemas futuros e conceder maior segurança ao morador idoso. Mas, acima de tudo, oferecer carinho e atenção a quem esteja só, fechando-se ao convívio social.

 

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