O desafio de manter a autonomia depende de quem cuida de idosos ou de quem é cuidado por eles?

Muito se fala sobre estimular idosos para que não se acomodem e mantenham um envelhecimento ativo, porém estabelecem um conflito ao decidir que o risco de quedas ou outros acidentes possíveis possam ocorrer. Para que não haja acusações de negligência, muitas vezes os cuidadores domiciliares ou a equipe de moradias institucionais acabam por oferecer um atendimento que consideram seguro, limitando os movimentos do morador idoso. Com isso, passam a depender de ajuda em muitas atividades que, antes, eram desenvolvidas sem restrições, acomodando-se em esperar ser atendido em todas as suas necessidades.

Esse aspecto se apresenta em Tentativas de Fazer Algo da Vida (Ed. Planeta, 2016), cujo autor usa o pseudônimo de Hendrik Groen, através da descrição de sua rotina diária na moradia institucional:

Por volta das 8h30, eu me levanto. Então, vou ao mercadinho e compro dois pãezinhos. Durante o café da manhã, leio o Volkskrant, que, aliás, ficou muito feio nos últimos tempos. Depois, escrevo no diário secreto. Toma mais ou menos uma hora. Em seguida, bebo um café lá embaixo e, na sequência, fumo um charuto. Depois de tossir, por volta das 11h30, faço minha ginástica na forma de uma voltinha pela casa ou nos arredores.

Demonstra que definiu um sistema que satisfaz suas necessidades diárias básicas, especialmente determinando em quanto tempo cumpre seus objetivos. Cabe ressaltar que a proposta de apartamentos permite que lanches possam ser feitos no pequeno apartamento, mas tem a opção do refeitório coletivo. Ao mesmo tempo, foi informado de que há a pretensão de incluírem um robô para o atendimento na moradia, o que levanta certa desconfiança sobre isso.

Eva está chegando! Os funcionários estão se tornando muito caros e escassos (…) e, por isso, no futuro, Eva irá servir o chá. Eva é um robô criado na Universidade de Tecnologia de Delft. (…) Além de sua especialidade, pequenos serviços, ela também pode exprimir emoções, afirmam os fabricantes. Um sorriso metálico? Lágrimas verdadeiras? Isso eles não informam.

Porém, comenta sobre o necessário cuidado com o risco de quedas, geralmente daqueles que se movimentam menos, resultado de pouca autonomia.

Idosos que têm medo de cair são justamente os que mais caem. Essa foi a conclusão de um cientista biomédico. Pessoas medrosas pensam: desde que eu não me mexa, também não posso cair. Isso faz com que percam a condição física e motora mais rapidamente e, por isso, caiam mais, por exemplo, quando têm que fazer o inevitável caminho até o banheiro.

O desafio de manter a autonomia de idosos depende tanto de quem cuida, que precisaria acreditar na capacidade de decisão e confiar que a atividade física será benéfica, mas também de quem é cuidado, procurando segurança, mas sem perder o poder de decisão, de modo a garantir um envelhecimento ativo e com dignidade, mantendo os vínculos sociais sempre vivos e positivos.

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